Abertas inscrições para 2º trimestre do Projeto Boca da Noite

9 05 2009
Abertas inscrições para 2º trimestre do Projeto Boca da Noite
Fundac
A Fundação Cultural do Piauí – Fundac abre neste mês de maio as inscrições para o 2º Trimestre do Projeto Boca da Noite. Os artistas interessados em participar do processo de seleção devem apresentar na sede da Fundac, situada na Praça Marechal Deodoro, 816, no centro, os seguintes itens no ato da inscrição: cd ou DVD com no mínimo 3 (três) músicas para serem analisados pela Comissão do Projeto; repertório escrito constando o nome dos respectivos autores; release do show do artista constando 3 (três) fotografias para divulgação; currículo vitae e mapa de palco.
As inscrições do(a) canditado(a) somente serão consideradas válidas mediante a entrega de todo o material mencionado acima. O Boca da Noite é um projeto que tem como objetivo primordial o fomento, o incentivo e a divulgação da música piauiense, contribuindo para a formação de platéia, bem como promovendo o acesso da população local à música regional num espaço, especialmente, preparado para receber os cantores(as) e compositores(as) do Estado do Piauí que é o Espaço Cultural Osório Júnior no “Club dos Diários”
Serviço:
As inscrições para a Projeto Boca da Noite ficarão abertas até o dia 29 deste mês. Para outras informações, entrar em contato com Coordenação de Música da Fundac, das 7h30 a 13h30, na sede da Fundação ou pelos telefones: (86) 3226-2126 / 8843-3650.

Fundac

A Fundação Cultural do Piauí – Fundac abre neste mês de maio as inscrições para o 2º Trimestre do Projeto Boca da Noite. Os artistas interessados em participar do processo de seleção devem apresentar na sede da Fundac, situada na Praça Marechal Deodoro, 816, no centro, os seguintes itens no ato da inscrição: cd ou DVD com no mínimo 3 (três) músicas para serem analisados pela Comissão do Projeto; repertório escrito constando o nome dos respectivos autores; release do show do artista constando 3 (três) fotografias para divulgação; currículo vitae e mapa de palco.

FUNDAC08_b689369544As inscrições do(a) canditado(a) somente serão consideradas válidas mediante a entrega de todo o material mencionado acima. O Boca da Noite é um projeto que tem como objetivo primordial o fomento, o incentivo e a divulgação da música piauiense, contribuindo para a formação de platéia, bem como promovendo o acesso da população local à música regional num espaço, especialmente, preparado para receber os cantores(as) e compositores(as) do Estado do Piauí que é o Espaço Cultural Osório Júnior no “Club dos Diários”

Serviço: As inscrições para a Projeto Boca da Noite ficarão abertas até o dia 29 deste mês. Para outras informações, entrar em contato com Coordenação de Música da Fundac, das 7h30 a 13h30, na sede da Fundação ou pelos telefones: (86) 3226-2126 / 8843-3650.





Boca da Noite apresenta Elis Marina

23 04 2009

CCOM

Depois do sucesso da abertura do Projeto Boca da Noite de 2009 com Roque Moreira, o palco do Boca da Noite, desta quarta-feira (22), será para a cantora picoense Elis Marina que fará um show para público de todas as idades e gostos musicais.

Elis Marina se apresenta cantando e tocando os mais diferentes estilos musicais, que vão desde canções pop, românticas nacionais e internacionais, passando pelo reggae e axé, até ritmos tradicionais da região, como o forró pé-de-serra. A cantora não se limita à interpretação musical, mas tem no seu repertório músicas de sua autoria.

Em 2006, compondo músicas românticas, Elis Marina gravou seu primeiro CD, Elis Marina Acústico, seguindo o estilo pop e, a partir daí, surgiram muitas oportunidades, como a abertura do show de Guilherme Arantes. Já em 2007, a cantora gravou Elis Marina – Ao vivo, onde foi conquistando gradativamente o público de Picos e a macro região.

Ano passado, Elis Marina lançou seu mais recente trabalho, Elis Marina, pra ser sincera, no qual mostra seu lado compositora com seis músicas de sua autoria e mais nove regravações de canções que marcam sua trajetória. A cantora vem de uma família de músicos, dentre eles, o primo Francis Lopes.

O show de Elis Marina começa às 19h, no palco do Clube dos Diários, no Projeto Boca da Noite, que é realizado pela Fundação Cultural do Piauí (Fundac).





Didácio Silva divulga arte piauiense

14 04 2009

Assessoria

Com o propósito de divulgar a arte piauiense, a Unidade Escolar Didácio Silva vai realizar nesta sexta-feira, 17, às 9:30h o “show Pé na Estrada com Alcides Valeriano e Família”. O evento faz parte da previa do projeto Didácio Arte III, que está previsto para acontecer nos meses de setembro e outubro.

De acordo com o diretor da unidade, Alberto Machado, a entrada para conferir o show é gratuita e vai contar com a participação de cerca de 1.400 alunos e também com a presença da comunidade local.

“Nosso objetivo é levar o belo através da arte de qualidade para a comunidade do Grande Dirceu. É nossa intenção, também, fazer uma integração entre os artistas e o seu público”, informou o diretor, acrescentando que a escola já prestou homenagens a artistas, como Acy Campelo, Roraima, João Cláudio, Luzia Amélia, Tião Vaz, Alda Veloso e outros.

A culminância do projeto Didácio Arte está previsto para ocorrer com a realização de um grande evento, onde os alunos, coordenados pelos professores, terão acesso a palestras, oficinas, minicursos, seminários, debates, exposição, apresentação de artistas da terra e outras atividades artístico-culturais “Nossa meta é incentivar a cultura permanente de valorização da arte”, finalizou Alberto Machado.





MPB: raízes e antenas conectadas

8 04 2009

Carlos Calado

A imagem profética de uma nova atitude musical na cena brasileira atual chegou a público no início dos anos 90. Usando uma antena parabólica enfiada na lama como símbolo do movimento Mangue Beat, os músicos das bandas pernambucanas Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A apontaram o caminho para a superação de uma polêmica que marcou a cultura nacional durante o último século: para dialogar com a música de outros países, o brasileiro deve abrir mão de suas raízes? Misturando ritmos regionais, como o maracatu, a ciranda e a embolada, com hip-hop, funk e hardcore, além de eletrificar as cordas do tradicional cavaquinho, a resposta dos “mangue boys” não deixava qualquer dúvida.

Se a consciência de que raízes e antenas devem estar conectadas é flagrante nos trabalhos musicais de muitos artistas brasileiros da atualidade, vale lembrar que nem sempre foi assim. No final dos anos 50, a Bossa Nova de João Gilberto e Tom Jobim, principal cartão de visitas da música brasileira no mundo, foi acusada de desfigurar o samba tradicional por meio da influência do jazz norte-americano. Uma década depois, a Tropicália de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé tentou superar essa polarização, operando uma intervenção crítica na cultura do país. Musicalmente, sintonizou-se com o pop internacional da época, utilizando instrumentos eletrificados e procedimentos da música contemporânea, mas sem abrir mão de ritmos e outros elementos regionais. Ou seja, ligou as antenas, sem abandonar as raízes mais características de nossa cultura.

A ação inovadora dos tropicalistas não impediu que o debochado Raul Seixas, um ícone do rock brasileiro, declarasse com ironia, em 1976: “Essa história de procurar raízes é uma bobagem. As únicas raízes que eu conheço são de amendoim e mandioca”. Não foi muito diferente a concepção da maioria das bandas e artistas ligados ao pop-rock brasileiro, que dominou o cenário musical do país, nos anos 80. Com raras exceções, essa produção musical ficou relegada apenas ao público brasileiro. Afinal, por que cópias mal disfarçadas do rock britânico da época, com letras em português, interessariam a plateias de outros países?

Uma nova visão estética se estabeleceu ao longo dos anos 90, reconhecível em vários gêneros de música produzida no país. Na chamada MPB (a corrente central da música popular brasileira), por exemplo, uma geração de compositores e intérpretes (não necessariamente estreantes), como o pernambucano Lenine, o paraibano Chico César, o maranhense Zeca Baleiro ou a banda carioca Pedro Luis e a Parede, concretizou em seus trabalhos (mesmo sem essa intenção), duas décadas depois, a essência do projeto tropicalista. Esses artistas perceberam que a melhor maneira de soar global é valorizar o que se possui de local, de regional. Seguindo esse princípio, tudo é válido: misturar ritmos do Nordeste com drum’n’bass e outros estilos da nova música eletrônica, injetar hip-hop e rap na tradição da batucada brasileira.

Se, em décadas anteriores, a ideia de preservar as raízes da música brasileira chegou a ser tratada com descaso ou mesmo preconceito, em nome de uma aparente modernidade, os anos 90 contribuíram para que esse ponto de vista fosse questionado. Exemplo revelador de um trabalho que prioriza as raízes brasileiras, sem cair no folclorismo acadêmico, é do grupo paulista A Barca, que desde 1998 viaja pelo país para resgatar ritmos e recriar danças praticadas em festas populares, como o jongo, o carimbó, o coco e o samba de roda, entre outros. Ainda nessa linha, também se pode citar o grupo brasiliense Casa de Farinha e a cantora e compositora mineira Consuelo de Castro.

Nos últimos anos, essa vontade de identificar manifestações que não frequentam as rádios, TVs ou outros meios da indústria musical tem estimulado projetos de mapeamento, permitindo que as plateias dos grandes centros urbanos possam conhecê-las e desfrutá-las. O mais ambicioso deles é “Música do Brasil” (2000), idealizado e conduzido pelo antropólogo Hermano Vianna, que cruzou o país durante um ano, transformando em série de especiais de TV e uma caixa de quatro CDs (Abril Music) os sons e imagens de mais de cem grupos e bandas de diversos estilos musicais, em cerca de 80 cidades do país. Assim registrou-se o coco de Alagoas, o cururu de Mato Grosso, a sambada de Pernambuco e o batuque do Amapá, entre inúmeras manifestações inéditas para o resto do país.

Se, no “Música do Brasil”, as gravações foram agrupadas por afinidades temáticas, o critério da Cartografia Musical Brasileira (2000/2001) ― projeto coordenado pelo músico Benjamim Taubkin e produzido pelo Itaú Cultural ― foi geográfico. A partir de cerca de 1700 inscritos foram selecionados 78 trabalhos de dez regiões brasileiras. Na caixa de 10 CDs, editada com duas ou três faixas de cada selecionado, puderam tornar-se mais conhecidos pelo país alguns dos artistas e grupos mais inovadores da música brasileira atual, como o grupo paulista de percussão corporal Barbatuques, a banda mineira de black music Berimbrown, o guitarrista paraense Pio Lobato, o grupo sergipano Lacertae, ou a compositora carioca Suely Mesquita, entre outros.

Vale mencionar também o projeto de mapeamento Bahia Singular e Plural, coordenado pelo etnomusicólogo Fred Dantas, que já resultou na gravação em campo de 92 manifestações do folclore baiano, reunidos em uma coleção de seis CDs (com outros programados em seguida). Assim pôde ser mais socializado o acesso a cantos de trabalho, sambas de roda, reisados, folias, cantos de lavagem e outros preciosos gêneros e aspectos musicais de origem essencialmente popular da Bahia. Iniciativas como essa certamente vão funcionar como preciosos arquivos, tanto de informações musicais, como de material sonoro para ser utilizado em novas criações de músicos e “samples” para DJs.

Embora menos abrangente, o projeto Orgânico Sintético (Muquifo Records) também não deixa de ser um mapeamento sonoro. Compilação realizada pelo produtor paulista Dudu Marote, reúne num CD duplo 24 dos artistas, DJs e produtores mais criativos da cena da música eletrônica brasileira, passando até pelo hip-hop e pela MPB mais contemporânea, como a rapper Nega Gizza, o compositor Jupiter Apple e os DJs Dolores (de Recife), Anvil X (de Belo Horizonte) e Flu (de Porto Alegre), além de veteranos nessa área. Gênero que se expandiu com força e variedade impressionantes, a música eletrônica já ultrapassou há anos a fase inicial de modismo circunscrito a clubes noturnos do eixo São Paulo-Rio, tomando conta do país. Provas disso são as associações e cooperativas de DJs e produtores, que têm surgido em várias regiões, como o Pragatecno (criado em 1998), que se define como um “núcleo de e-music no Norte-Nordeste” e reúne DJs de várias capitais, ou a Zootek, pioneira cooperativa de bandas eletrônicas brasileiras, com sede em Curitiba.

Não propriamente um mapeamento, a série A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes oferece um rico panorama de nossa música popular no último século. Produzida por Pelão e editada pelo SESC São Paulo, reúne gravações e transcrições de depoimentos, realizados originalmente por Fernando Faro para seus programas de TV. Até agora a série destaca 75 CDs e seis livros com compositores, cantores e instrumentistas de vários gêneros urbanos, do samba de raiz à chamada MPB, incluindo também algumas manifestações regionais.

Muitos outros exemplos poderiam ser extraídos de vários segmentos da atual produção musical do país, seja a black music, o pop ou a música instrumental, que confirmam uma mesma atitude: o músico brasileiro afinado com a cena global sabe que raízes e antenas são fontes de igual valor.

Texto originalmente públicado em Digestivo Cultural





Ok Radiohead: Relato das impressões do show mais bacana do ano.

2 04 2009

Thiago Meneses

 

Ser fã é, acima de tudo, reconhecer o imenso potencial de empatia que reverbera na figura de artistas, jogadores de futebol, grupos musicais ou mesmo um ente querido mais próximo, um amigo. E o grande potencial de agregação que se forma ao redor dessa tal figura mítica (o ídolo), que habita  mentes e corações, é capaz de promover mobilizações, ora irracionais e insanas, ora comoventes. Acima de tudo, ser fã é poder, de alguma forma, externar diversos anseios, muitos dos quais reprimidos pelo dia-a-dia, onde os aspectos mais íntimos e pessoais são obliterados pela sequência esquemática de ações coordenadas pela rotina cotidiana. Ainda que a linha entre a lucidez e o fanatismo seja muito tênue, provar determinadas sensações provocadas pelos sentimentos advindos dessa prática tão paradoxal é perceber que a vida pode ser mais do que aquele velho esquema casa-trabalho-família-escola. No fim das contas, ser fã é querer estar junto de outras pessoas que tenham algo em comum para compartilhar, que reconheceram em determinada obra ou pessoa o significado do que venha a ser vida.

            Semana passada eu tive uma experiência das mais comoventes sobre essa tal prática do ser fã. Um grupo, com aproximadamente 20 pessoas, saiu da Mesopotâmia Piauiense rumo à Terra da Garoa (ou seria mais precisamente rumo à Rua Augusta? Rsrsrs) para assistir ao show do Radiohead. O grupão se separou em dois ou três e saíram de Terehell em horários distintos. Fiquei no vôo das 4:30 da manhã de sexta-feira (20/03). Viajei  com a minha irmã Tahiana, companheiro Edson, companheira Clarissa e Companheiro Chico Kaefe. O que tentarei explicar, a partir desse momento do texto, é como a viagem e o show do Radiohead puderam proporcionar sensações tão novas e interessantes.

A chegada a São Paulo e a sensação de estar naquela selva de pedra pela primeira vez era parecida para todos (exceto para Chico Kaefe e Clarissa, que já conheciam a cidade). A impressão que se tem, ainda no avião, é que existe todo um mundo suficientemente grande esperando lá embaixo. Grande em todos os sentidos. Do desembarque ao taxista maluco que nos deixou no Hotel (eu viria a descobrir nos próximos três dias que São Paulo está cheio deles), íamos sendo contagiados progressivamente com o clima cosmopolita e frenético da cidade.

O almoço nas imediações do simpático bairro Aclimação, a saída à Rua Augusta em uma noite de sexta-feira, o encontro com a rapazeada de Teresina, o contato com um californiano bem simpático  já nos haviam dado um grande dia. Mas ainda tinha mais: por insistência da Tahiana (eu a agradeço até hoje por isso) fomos ao show do Mombojó, na casa chamada Studio SP.

 

           Que a música do Mombojó é contagiante, todos já sabem. Mas o clima, pelo menos para mim, era o mais favorável possível. Seria uma grande prévia para os shows que se seguiriam no domingo. A tal necessidade – que vez por outra sinto, advinda principalmente das minhas leituras (de livros e de mundo), de extravasar e apostar todas as fichas em um momento que você sente ser único –  geralmente não me deixa na mão. Quando me posicionei na fila para a entrada da casa de shows falei pra mim mesmo:  – Essa noite vai ser ducaralho! A sensação de certeza vinha da intuição que faço em alguns momentos chave onde, acima de tudo, deixo-me acreditar. Encontrei a rapazeada de Teresina quebrando tudo e conheci pessoas legais também. A noite já estava ganha.

 

imagem1Ilustração 1: Felipe e Tahiana quebrando tudo no show do Mombojó

 

            A ressaca do Mombojó logo foi esquecida pela apreensão do domingo. Engolimos o café e rapidamente nos apressamos em partir para a Avenida Paulista, onde encontraríamos (eu e Tahiana) dois amigos que já conheciam o itinerário até o local do show. A fila da chegada assustava. Uma horda de fãs já esperavam ansiosamente a abertura dos portões. Fizemos uma imensa caminhada até o final da fila e nos posicionamos com nossas capas de chuva recém-adquiridas.

imagem-21Ilustração 2: Tahiana, Tito (prestes a ser lanchado) e Felipe; Eu, Graci e Tahiana; Eu, Graci, Tahiana e Beleleu; Nossos pés

 

            A garoa caía de forma suave e a minha mente não parava de divagar. Naquela fila, numa terra estranha, eu comecei a pensar nas implicações da nossa cruzada em busca da banda prometida. O mais interessante é perceber que no meio de tanta confusão, ainda existe, sim, algo capaz de unir tantas pessoas em torno de um acontecimento. Talvez seja porque, diferente da escola, da faculdade, do culto ou da reunião familiar, o grau de espontaneidade envolvido naquele tipo de relação (adimirador e artista) seja muito maior. À medida que o tempo passava na fila, eu ia conhecendo pessoas, me comunicando (no sentido mais amplo da palavra, o tornar comum) e experimentando aquela sensação de pertencer ao lugar onde se está, justamente por provar dessa espontaneidade do qual somos tão privados diariamente. Essa interação fez com que as dez horas que ficamos esperando pela entrada do Radiohead se passasse de uma maneira bem agradável. A permuta de idéias, o aprendizado que se tira dessa interação, a proximidade e identificação com a atmosfera do local te preparam de uma maneira extraordinária para o que virá a seguir, no palco. E a coisa ocorre toda como um balão. Na hora que o artista entra no palco, você já inflado de euforia explode transbordando alegria por tudo quanto é lado.

imagem31Ilustração 3: Graci espera ansiosa pela apresentação dos Losermanos. Ao fundo, conversa espontânea com a companheira Lílian, amizade feita na fila do show do Radiohead. Além do quinteto britânico, Pete Doherty, David Bowie e muitos outros afins.

 

            No show dos Losermanos foi mais ou menos assim: na primeira nota de “Todo Carnaval tem seu fim” você podia sentir a onda de entusiasmo que tomava conta daquela atmosfera. As serpentinas misturavam-se ao coro que cantava, brincando de ser feliz. O repertório, tão conhecido e vivenciado por mim, refrescava minha mente tanto quanto a fina garoa que caía e refrescava meu corpo. A multidão parecia, de fato, estar sintonizada com as músicas do grupo carioca, que voltava de um hiato de mais de um ano. Após os últimos acordes de A Flor, eu sabia que a banda que marcou época na história da música brasileira (é só olhar para o que era produzido antes deles, tanto em questão de discurso, como de estética) dava seus últimos momentos de contribuição para meu deleite pessoal.

imagem4Ilustração 4: Cinco horas antes do Radiohead subir no palco, a Chácara do Jóquei já estava abarrotada de gente; A alegria do fã ao conseguir uma vista privilegiada para o show.

 

            O show do Kraftwerk foi bastante interessante. Como nunca me liguei muito no estilo da banda, prefiri assistir as pessoas assistirem ao show. O que mais me surpreendeu foi que havia muita gente que comprou ingresso para ver especialmente a apresentação dos alemães precursores da música eletrônica. Prestar atenção no público é uma experiência bastante rica. Tinha um gaúcho na minha frente que conhecia todas as músicas da banda. O cara dançava aquele eletrônico truncado de uma maneira muita engraçada. E cantava todas as letras. Completamente hilário!

 

 

imagem-5Ilustração 5: Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante voltando aos bons e velhos tempos de Losermanos; Os alemães do Kraftwerk dando uma aula de história da música eletrônica à audiência

 

            Quando os robôs do Kraftwerk se despediram, a expectativa que se criou em toda a Chácara do Jóquei se elevou aos extremos. A equipe técnica do Radiohead se apressava em montar a estrutura de palco que já percorrera vários países. Em pouco tempo, um conjunto de imensas lâmpadas foram posicionadas na posição vertical. Após montado o cenário, enfim chegara a hora: eram exatamente 22h de domingo (22/03) quando o Radiohead saudou o público brasileiro.  

imagem61Ilustração 6: Equipe técnica do Radiohead se mobiliza para montar o cenário do show

 

            As primeiras batidas eletrônicas de 15 step incendiaram todo o local. E o empurra-empurra, tão adorado pelos micareteiros*, parecia a ser a ação mais apropriada a se tomar. E para escancarar de vez, o Radiohead emenda There There. A canção, que segue cadenciada até um determinado momento, explode depois que Johnny pega a guitarra e Phil acerta em cheio a caixa da bateria. E as vozes ecoavam, felizes, cantando We are acidentes waiting to happen. Na música seguinte, o público se depara com um acontecimento insano. Quem nunca acompanhou um show do Radiohead deve ter ficado perpelexo ao ouvir um programa de rádio brasileiro ecoando pelas caixas de som da Chácara do Jóquei.  Logo após, o riff de National Anthem é tocado. Mais empurra-empurra.

imagem-7Ilustração 7: Johnny Greenwood; Johnny Greenwood e Thom Yorke

            Não me surpreendeu o fato do Radiohead ter tocado o In Rainbows na íntegra. As canções funcionam muito bem ao vivo, além de ser um costume da banda dar prioridade para os trabalhos mais recentes em suas apresentações. Mas o grupo também soube diversificar. Todos os sete álbuns foram percorridos de maneira bastante equilibrada. Ao final do primeiro bloco de show, a passagem do Radiohead já entraria fácil na história das grandes apresentações realizados no Brasil. O coro do público em Karma Police, a piração dançante de Thom em Idioteque, a interpretação emocionada e sombria de Exit Music e o final arrasador com Bodysnatchers já passavam a sensação de  dever cumprido. Os bônus só viriam a completar a bela apresentação da banda.

imagem-8Ilustração 8: A iluminação variava conforme o clima da música; Ao fundo, imagens dos integrantes da banda sob os ângulos mais interessantes.

            Ainda que o show em si tenha sido excelente, não custa nada ressaltar a carniça que foi a (des)organização do festival. Além do copinho de água custar R$ 5 e a cerveja custar R$ 7, nada foi mais desagradável do que querer sair por um dos acessos de segurança e ser obstruído. Os banheiros, em número imcompatível com a platéia de mais de 30 mil pessoas, obrigaram os fãs a transformarem o muro da Chácara do Jóquei em um verdadeiro mictório de dimensões descomunais. A saída do público, que levava pelo menos uns 40 minutos, a falta de indicação de transportes na área (eu soube depois que tinha uma estação de metrô próxima ao local do evento) e o arrombamento de mais de 50 carros que tinham pago estacionamento para ficarem protegidos, me fizeram perceber o quanto a organização dos festivais no Brasil ainda dorme no ponto no quesito tratamento ao público.

 

            Mesmo com todos esses empecilhos, a viagem valeu a pena. O fechamento do show com o hit Creep, do primeiro álbum Pablo Honey, foi uma espécie de premiação. Além de ter sido uma música que marcou a minha trajetória, o refrão fácil de cantar, explosivo, ajuda a comungar no coro de vozes essa tal corrente que é esse negócio chamado fã. Desproporcional, exagerado, mas sempre intenso.  

 

Radiohead
Chácara do Jóquei, São Paulo, Brazil
March, 22, 2009

15 Step (In Rainbows)
There There (Hail To The Thief)
The National Anthem (Kid A)
All I Need (In Rainbows)
Pyramid Song (Amnesiac)
Karma Police (Ok Computer)
Nude (In Rainbows)
Weird Fishes/Arpeggi (In Rainbows)
The Gloaming (Hail To The Thief)
Talk Show Host (B-side – Trilha Sonora do filme Romeu e Julieta)
Optimistic (Kid A)
Faust Arp (In Rainbows)
Jigsaw Falling Into Place (In Rainbows)
Idioteque (Kid A)
Climbing Up The Walls (Ok Computer)
Exit Music (For A Film) (Ok Computer)
Bodysnatchers (In Rainbows)

Encore 1
Videotape (In Rainbows)
Paranoid Android (Ok Computer)
Fake Plastic Trees (The Bends)
Lucky (Ok Computer)
Reckoner (In Rainbows)

Encore 2
House of Cards (In Rainbows)
You and Whose Army (Amnesiac)
 True Love Waits (I Might Be Wrong)/Everything In Its Right Place (KidA)

Encore 3
Creep (Pablo Honey)

 





I Festival de Rabeca do Piauí aconteceu neste final de semana em Bom Jesus

17 12 2008

Temperaturas mais elevadas do Brasil e Poços Jorrantes ricos em água. Esse foiac o cenário para o I Festival de Rabeca do Piauí que acontece na cida de Bom Jesus, localizada a 635 km da capital Teresina. O Festival aconteceu de 12 a 14 de dezembro, na Praça do Fórum e contemplou a rabeca brasileira em toda a sua diversidade, bem como outras manifestações do violino popular.

O Festival foi um espetáculo aberto ao público com apresentação de shows, exposições sobre H. Dobal e Torquato Neto e ainda oficinas de teatro, vídeo, danças tradicionais e elaboração de projetos culturais.

O evento é transformou o Piauí nestes 03 dias, em ponto de convergência da cultura rabequeira, fazendo a trajetória histórica do instrumento no Brasil e em outros lugares do mundo, bem como um apanhado do primoroso processo artesanal de construção da rabeca, além da situação dos rabequeiros no cenário musical contemporâneo.





Hernane Felipe participa do Boca da Noite

25 11 2008

A atração do Projeto Boca da Noite desta quarta-feira (26), a partir das 19h, no Espaço Osório Júnior, no Clube dos Diários, é o cantor e compositor Hernane Felipe, que iniciou carreira artística em 2000 e desde então fez parte de bandas reconhecidas como Oscaipora, Narguilê Hidromecânico e Resoulnância Universal Grooving. Atualmente, o artista se prepara para o lançamento do seu primeiro CD solo Noturno na Linha do Equador.

O CD faz referência ao samba, baião, coco e ao reggae, patrocinado pelo Sistema de Incentivo à Cultura (Siec), da Fundação Cultural do Piauí (Fundac). Além disso, Hernane Felipe compõe o Fórum de Música do Piauí, cursa o segundo período de Pedagogia e faz parte da oficina de trilha para cinema da Associação Brasileira de Documentaristas com o músico e cientista Zé Piau.

Hernane Felipe também é instrutor de música do Projeto Sabiá, do Governo do Piauí, coordenado pelo Programa Fome Zero, dirige grupos de percussão violão e canto na comunidade Quilombo, próximo à cidade de Altos, com o objetivo de atrair jovens para um caminho próspero, ajudando assim para desenvolvimento da sociedade, fortalecendo e conservando as matrizes africanas.

Carlos Rocha, com dados da Fundac