Vaticano pede que fiéis não vejam “Anjos e Demônios”

11 05 2009
Vaticano pede que fiéis não vejam “Anjos e Demônios”
Folha On Line
O diretor Ron Howard, 55, aprende com seus erros. Após fazer “O Código Da Vinci”, adaptação do livro de Dan Brown, e ser um fracasso de crítica, ele adapta “Anjos e Demônios” –que estreia no Brasil no dia 15–, do mesmo autor, com mais ação, ritmo muito mais acelerado e, surpreendentemente, nenhum sexo.
Howard e os roteiristas David Koepp e Akiva Goldsman cortaram, fundiram personagens e reescreveram uma boa parte do final. “Faz parte de uma adaptação ter de escolher. Fazendo uma autocrítica, diria que fui muito devotado ao original em “Código Da Vinci”. Neste filme resolvi mudar mais. E, depois de tantos comentários, achamos que Robert Langdon podia ganhar um corte de cabelo”, diz o diretor, em evento de lançamento europeu. “Isso foi meu maior desafio”, brinca Tom Hanks, 52.
Ele está novamente no papel do simbologista de Harvard Robert Langdon, que é chamado para desvendar os mistérios em torno de uma série de assassinatos. Um extremista sequestra e mata de hora em hora quatro cardeais cotados para a vaga aberta com a morte do papa. À meia-noite, uma bomba vai explodir dentro do Vaticano durante esse conclave.
Brown aprovou as mudanças: “Foi interessante testemunhar o processo de transformar um texto denso num thriller inteligente e de rápida diversão, mas nada foi feito pensando em agradar aos católicos”.
O filme mantém acesa a polêmica com a Igreja Católica, sempre presente no que concerne ao autor americano.
No dia seguinte à sessão na capital italiana, o bispo Antonio Rosario Mennonna, de 102 anos, entrou com uma denúncia na Procuradoria de Roma e de Potenza, chamando o filme de “difamatório e ofensivo aos valores da igreja e ao prestígio da Santa Sé” e conclamando os fiéis católicos a não irem vê-lo.
O líder da Liga Católica nos EUA, William Donohue, disse que Hollywood “inventou uma história para difamar a igreja” e classificou o filme de “anticatólico”. Ron Howard agradeceu e disse que esse tipo de polêmica ajuda no marketing.
Durante as filmagens, o longa teve negado acesso a várias partes do Vaticano, que foram recriadas em estúdio em Los Angeles. “Não esperava cooperação”, diz o diretor. “Nunca estive no cartão de Natal da igreja, mas esse ataque acontece sem ninguém ter visto o filme”.
O diretor convidou representantes da igreja para assistir, “mas todos declinaram”. O astro de US$ 20 milhões Tom Hanks fez uma espécie de “anticampanha”. “Se você acha que o filme vai atacar sua fé, simplesmente não vá ao cinema. Nós imploramos, por favor, não vá”, disse em tom jocoso.
Uma festa que estava programada para acontecer em Roma foi cancelada por interferência extraoficial do Vaticano. “Foi deixado claro por alguns canais que a igreja não aprovava aquilo”, disse o diretor.
Sem beijo
Vivida pela israelense Ayelet Zurer, a mocinha foi transformada em uma mulher mais realista. A atriz diz que no livro Vittoria Vetra parecia uma “super-heroína”: “Afinal, ela é muito inteligente, contesta Einstein e ainda é sexy”.
Na versão cinematográfica, ela é “uma mulher que você consegue encontrar na rua”.
Talvez por isso ela não tenha encantado Langdon, com o qual não tem nenhuma cena romântica. Hanks relativiza: “Nas 24 horas em que se passa o filme eles não conseguiriam achar tempo para um beijo.
Pensamos em mudar a locação de uma das mortes para um hotel onde eles pudessem transar, ou um carro grande, como um Alfa Romeo, mas não ficou bom no roteiro”, ri ele.

Folha On Line

O diretor Ron Howard, 55, aprende com seus erros. Após fazer “O Código Da Vinci”, adaptação do livro de Dan Brown, e ser um fracasso de crítica, ele adapta “Anjos e Demônios” –que estreia no Brasil no dia 15–, do mesmo autor, com mais ação, ritmo muito mais acelerado e, surpreendentemente, nenhum sexo.

Howard e os roteiristas David Koepp e Akiva Goldsman cortaram, fundiram personagens e reescreveram uma boa parte do final. “Faz parte de uma adaptação ter de escolher. Fazendo uma autocrítica, diria que fui muito devotado ao original em “Código Da Vinci”. Neste filme resolvi mudar mais. E, depois de tantos comentários, achamos que Robert Langdon podia ganhar um corte de cabelo”, diz o diretor, em evento de lançamento europeu. “Isso foi meu maior desafio”, brinca Tom Hanks, 52.

Ele está novamente no papel do simbologista de Harvard Robert Langdon, que é chamado para desvendar os mistérios em torno de uma série de assassinatos. Um extremista sequestra e mata de hora em hora quatro cardeais cotados para a vaga aberta com a morte do papa. À meia-noite, uma bomba vai explodir dentro do Vaticano durante esse conclave.

Brown aprovou as mudanças: “Foi interessante testemunhar o processo de transformar um texto denso num thriller inteligente e de rápida diversão, mas nada foi feito pensando em agradar aos católicos”.

O filme mantém acesa a polêmica com a Igreja Católica, sempre presente no que concerne ao autor americano.

No dia seguinte à sessão na capital italiana, o bispo Antonio Rosario Mennonna, de 102 anos, entrou com uma denúncia na Procuradoria de Roma e de Potenza, chamando o filme de “difamatório e ofensivo aos valores da igreja e ao prestígio da Santa Sé” e conclamando os fiéis católicos a não irem vê-lo.

O líder da Liga Católica nos EUA, William Donohue, disse que Hollywood “inventou uma história para difamar a igreja” e classificou o filme de “anticatólico”. Ron Howard agradeceu e disse que esse tipo de polêmica ajuda no marketing.

Durante as filmagens, o longa teve negado acesso a várias partes do Vaticano, que foram recriadas em estúdio em Los Angeles. “Não esperava cooperação”, diz o diretor. “Nunca estive no cartão de Natal da igreja, mas esse ataque acontece sem ninguém ter visto o filme”.

O diretor convidou representantes da igreja para assistir, “mas todos declinaram”. O astro de US$ 20 milhões Tom Hanks fez uma espécie de “anticampanha”. “Se você acha que o filme vai atacar sua fé, simplesmente não vá ao cinema. Nós imploramos, por favor, não vá”, disse em tom jocoso.

Uma festa que estava programada para acontecer em Roma foi cancelada por interferência extraoficial do Vaticano. “Foi deixado claro por alguns canais que a igreja não aprovava aquilo”, disse o diretor.

Sem beijo

Vivida pela israelense Ayelet Zurer, a mocinha foi transformada em uma mulher mais realista. A atriz diz que no livro Vittoria Vetra parecia uma “super-heroína”: “Afinal, ela é muito inteligente, contesta Einstein e ainda é sexy”.

Na versão cinematográfica, ela é “uma mulher que você consegue encontrar na rua”.

Talvez por isso ela não tenha encantado Langdon, com o qual não tem nenhuma cena romântica. Hanks relativiza: “Nas 24 horas em que se passa o filme eles não conseguiriam achar tempo para um beijo.

Pensamos em mudar a locação de uma das mortes para um hotel onde eles pudessem transar, ou um carro grande, como um Alfa Romeo, mas não ficou bom no roteiro”, ri ele.

Comentário meu sobre o pedido do Vaticano: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk





Vocação? Encher linguiça!

4 05 2009

X-men Origens: Wolverine (2009)

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Quem viu o último filme dos X-Men já sabe o que esperar do primeiro filme solo da franquia dos mutantes no cinema. Por mais improvável que pareça, mesmo tendo apenas um personagem principal, deram um jeitinho de entupir a tela de mutantes diversos, brigas diversas, conversa fiada no balde e duma trama de altos e muitos baixos. X-Men Origens: Wolverine era aquele filme que poderia trazer novamente a antiga qualidade dos primeiros longas dos mutantes, mas falhou feio.

Aqui é narrada a saga de James/Logan/Wolverine (Hugh Jackman) desde sua adolescência quando descobriu fatalmente seus poderes, até o momento da sua perda de memória [que bem… motivada por algo idiota]. Felizmente num ponto o filme merece ser elogiado: conseguir explicar com clareza a saga do invocado mutante canadense, descartando muita coisa desnecessária que existe nos quadrinhos. Por outro lado, a forma como isto é construído faz qualquer um torcer o nariz.

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Muitos momentos interessantes da origem do Wolverine são largados em detrimento de cenas descartáveis de briga ou em sub-tramas que alimentam um final sem sal, previsível.  A fase Arma-X de Wolverine, por exemplo, é resumido em sequências diminutas e limpas de sangue. E logo depois ela é remendada a uma história piegas e descartável, tendo direito a uma rápida referência a origem do Superman [duvidam?].

A relação do personagem com o meio-irmão Dente-de-Sabres (Liev Schreiber) se resume a dilemas batidos e pueris. Algo que tinha condições de ser aprofundando como é a relação entre Xavier e Magneto nem chega a encostar. Tudo bem que são dois bruta-montes que sabem mais resolver tudo no braço, mas as constantes cenas de brigas entre os dois enchem o saco! Assim como já acontece nas revistas.

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Lá pra segunda metade do filme o cérebro já liga o piloto automático. E então é só ficar esperando por mais conflitos e falas desnecessárias, rir da inocência de Wolverine em cair aos poucos numa armadilha clara [nem é spoiler, isso é claro em todo filme], e se anestesiar do aparecimento de certos mutantes como Blob [tosco, mas interessante] e Emma Frost [até agora não acredito que a transformaram naquilo, totalmente descartável nesse filme].

O passado de Logan que deveria ser preenchido por momentos de barbárie, muito sangue e ataques de raiva, é preenchido pela mais pura linguiça. E essa acaba se tornando a vocação do mutantes mais famoso da editora Marvel, com suas garras transformadas em meros adereços durante.

Dario Mesquita





“Valerie… Valerie…”

18 04 2009

Valerie and Her Week of Wonders (1970)

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Clichês textuais a parte [e o que for de mais piegas ainda], posso definir este como uns dos filmes de terror mais originais que assisti nesses anos. Não, o seu quesito [in]felizmente não é sua carga de suspense nem cenas grotescas que qualquer fan boy adoraria, mas sim sua trama desfiada, e com classe, que é conjurada numa narrativa onírica, extremamente doce, sutilmente erótica e esteticamente anormal para os filmes atuais.

Lançado em 1970, numa extinta Czechoslovakia do Leste Europeu, Valerie a týden divu [título original] do diretor Jaromil Jires é realmente uma pérola perdida, recém redescoberta na própria Europa, e penso que nunca lançada aqui no Brasil. Em sua trama, somos conduzidos pelo olhar virginal de Valerie (Jaroslava Schallerová, com então 14 anos, numa interpretação convincente), uma jovem com seus cobiçados treze anos de idade, que mora com sua “religiosa” avó, envolta de criadas “libidinosas”, numa pacata-estranha-cidade em algum canto da Europa por onde se escondem vampiros sedentos pelo sangue virgem.

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Desconexo, improvável e cenários belamente pintados, Valerie mergulha em delírios de um mundo onde trevas e fantasia se encontram, onde o cristianismo sem embate com o paganismo folclórico da Europa [e é ridicularizado], onde o pueril se choca com a sexualidade, onde o puro se confunde com a perversão. Não há muito sentido, nem lógica certa, o nós da história são feitos e desfeitos a todo instante, e muitas vezes nem completados, deixando a imaginação fluida do espectador caminhar entre as pedras dos sonhos da jovem. É um conto de fadas revelador sobre descobertas, medos, incertezas e glória humana.

O incrível é perceber como tudo isso consegue se encaixar, como cada peça que poderia resultar numa obra erótica-apelativa-wanna-be-cult se sai como uma bela canção. E como a trilha sonora faz toda a diferença, o mesmo da fotografia marcante e simples. Valerie pode ser um daqueles filmes de causar estranhamento, mas quando se chegam os últimos minutos, mesmo com sua duração sintética de pouco mais de uma hora, ele é um filme completo, que acaba por seduzir e instigar a imaginação do espectador. E esta é uma obra que dificilmente pode ser copiada, algo apenas de seu tempo, em idos da década de 1970, mesmo porque, muitas das cenas mais seriam comentadas atualmente pela sua “sexualidade polêmica” sobre a jovem atriz, de longe pela sua qualidade como história.

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Existem cópias do filme em Dvd à venda pela Europa, penso que também nos Estados Unidos. No Brasil acho bem complicado. Quem estiver interesse no filme deixe um comentário, ou dê uma boa pesquisada pela net. Deixo também um link de um projeto musical inspirado no filme, mais uma galeria de imagens de outro blog. Espero que alguém também redescubra essa preciosidade.

Dario Mesquita





Obra prima, obra desconstruída

12 04 2009

Santiago

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A certa altura de “Cabra Marcado para Morrer”, quando um desconhecido pergunta ao diretor Eduardo Coutinho se ele e sua equipe, com toda aquela tralha cinematográfica, eram de alguma emissora de televisão, Coutinho meio que improvisa uma resposta [sempre] ambígua, definindo em poucas palavras o documentário como uma reportagem, mas que também é cinema – ou vice e versa? É ficção embutida de não-ficção, ou não-ficção destrinchada como ficção?

Entra então o diretor João Moreira Salles, discípulo de Coutinho, que na tentativa de responder a si mesmo essa dúvida criou uma das obras mais controversas de sua carreira, que também é aquela que mais o perturbou desde sua filmagem em 1992 com Santiago Badariotti Merlo (1912-1994), mordomo por cerca de 30 anos sua família, até sua finalização em 2005 [então exibido em 2007 e agora lançado DVD].

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Nessa obra, Moreira Salles desmonta sua linguagem cinematográfica para conseguir finalizar o único documentário que nunca conseguiu dar corpo, isso após 13 de dúvidas e angústias sobre ele. Para ele, na época, tudo estava certo, o roteiro definido, cenas de estúdio gravadas para ilustrar lembranças de Santiago, sua própria visão sobre o fazer documentário estava garantida em sua mente. Mas nada funcionou na edição e só anos depois o diretor conseguiu discernir suas falhas para enfim por isso a prova no próprio documentário.

Todo narrado em off pelo seu irmão Fernando Salles, o diretor leva a tela não apenas seu “personagem” Santiago, com todas suas incríveis  particularidades e uma memória magnífica [um tema central do filme], mas também a si como outro personagem, sempre ativo, sempre decidindo os rumos das filmagens, a forma de edição, os enquadramentos, comentando os erros de seu percurso criativo e as lembranças que Santiago despertou de sua infância.

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Moreira Salles questiona a todo instante o que seria a naturalidade de imagens no documentário, a sua relação com o personagem, o acaso das filmagens, o vazio entre as cenas, o belo entre as filmagens, o que sobrou de suas lembranças. Tudo é desconstruído, numa cadencia ligada ao emotivo da relação do diretor e Santiago, um “jovem” senhor de 80 anos, um solitário argentino dono de uma vasta cultura erudita e colecionador do passado, registrando em mais de 30 mil páginas por toda sua vida a genealogia de inúmeras famílias nobres do mundo inteiro [especialmente européias].

Mesmo com todas as falhas apontadas pelo diretor, Santiago se sai uma obra impar, se colocando mesmo que involuntariamente em um dos melhores filmes dos últimos anos no Brasil, ensaiando sobre os limites da ficção e não-ficção, sobre a memória e o que sobrou dela. E muito há o que de discutir no filme, muito ainda se falará sobre as memórias de Santiago.

Dario Mesquita





Curto e Grosso

15 12 2008

[REC, 2007]

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Rapaz, para que fazer duas horas e pouco de um filme atolado de clichês e personagens descartáveis. Pior ainda é preencher esse tempo com um clima desnecessário de tensão-anti-tesão que na imaginação inocente da produção funciona, mas que acaba enfadando o espectador.  Filmes de terror são assim, em sua grande maioria, até mesmo os ditos clássicos B. Falas idiotas, piadinhas para tentar segurar a platéia e uns baldes de sangue que podem satisfazer alguns sedentos. Claro, qualquer fan-gore entende muito bem que isso faz parte do gênero cinematográfico e até esquece que enquanto isso na literatura, e até nos quadrinhos, obras de horror são mais deliciosas, menos gratuitas, e o melhor, curtas e grossas.

REC, filme espanhol dos diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza, segue essa linha a risca em suas uma hora e poucos minutos de duração, como num simples conto despretensioso capaz de cativar e surpreender. Num estilo documental, algo já explorado em obras polêmicas como Cannibal Holocaust (inédito no Brasil de tão brutal) e Bruxa de Blair, o filme nos guia pelo olhar do câmera Pablo e das falas redundantes da jornalista Angela que acompanham a rotina monótona de uma noite de plantão dos bombeiros, até que uma simples chamada em um prédio residencial se torna “o” pesadelo quando o local se transforma numa área de quarentena.

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Sem tirar e nem pôr, a obra funciona a cada movimento de câmera durantes seus planos seqüências, na iluminação e na edição do áudio que completam a construção de um ambiente claustrofóbico e sofrido para quem acompanha.  As atuações e a forma como os personagens são construídos também ajudam bastante para o desenvolvimento da trama pé-no-chão, e do conceito do filme [que consegue transpor até alguns questões relevantes ao fazer documentário – morte, parcialidade, o dever de registrar os fatos…].

Apesar de uns clichês bem básicos de sustos, nenhum deles é capaz de estragar a experiência voyerista do espectador que se contorce de inquietação em todas as reviravoltas. E o final ainda guarda boas surpresas para spoilers futuros.

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Com tantos bons elementos na construção de seu clima, até esquecemos que REC é um filme de zumbis. Ele consegue transpor essa barreira sub-genérica e  monta um pequeno clássico do terror [como uma música punk perfeita].

Infelizmente, devido ao grande sucesso [e lucro] do filme espanhol, ele sofrerá no próximo ano uma americanização em uma refilmagem nos Estados Unidos. Nem imagino o que eles podem acrescentar a obra, a não ser umas verdinhas a mais, mas tirar… Dica? Baixe na internet a versão americana [na cara de pau mesmo] e assista REC na sala escura do cinema ou no seu home theatre quando lançarem o DVD. Vai valer cada mísero minuto de sua vida.

Dario Mesquita





Feijão com Arroz [mas com uma pimentinha no canto]

13 11 2008

007 – Quantum of Solace

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Vamos em partes. Cassino Royale foi uma daqueles filmes que fez qualquer fã de James Bond levantar as mãos para os céus e agradecer a todos os deuses possíveis por realmente salvar uma franquia que vinha definhando completamente nas últimas décadas. Revigoramento a parte, o que se fez com 007 foi pegar as influências de produções de espionagem como Alias e Jason Bourne, colocar num liquidificador para depois fazer um prato chique acompanhado com vinho de marca – e esqueçam aquelas engenhocas enfadonhas e estapafúrdias, elas agora são mais sutis. Oh, pois não é que funcionou!

Pois agora temos uma continuação direta do primeiro filme, 007 – Quantum of Solace, do diretor alemão Marc Forster, que já não vem com tantas inovações, mas simplesmente firma a construção do James Bond de Daniel Craig na obra anterior. O forte do filme ainda se mantém, um equilíbrio entre enredo e cenas de ações, mas isto por pouco escapa pelas mãos do diretor. A forma de edição extremamente picotada em algumas seqüências de ação é quase uma ejaculação precoce, a tensão toda se perde em câmeras tremidas, movimentos bruscos e pouco foco, a pessoa logo abusa e encosta-se na poltrona esperando que James Bond vença logo e a trama prossiga – ainda bem que pro final isso fica moderado [ou a gente se acostuma?].

É uma tentativa meio doida de novamente de chupar o estilo de Bourne [especialmente do ultimo filme], mas que felizmente tem um contra peso de ações paralelas, como nos primeiros minutos do filme onde se constrói uma perseguição tendo como paralelo uma corrida de cavalos [que inclusive antecipa o desfecho da seqüência, uma ótima saída].

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O enredo em si não tem grandes segredos, pois o forte dele está nos personagens, do principal ao coadjuvante, criando assim uma cara de verdade a marca 007 de fazer filme. A relação entre James Bond e M (Judi Dench) é aprofundada, assim como o contexto de organizações secretas que estão em jogo no universo de 007. E não esquecendo a nova BondGirl, Camille (Olga Kurylenko), que talvez nem seja tanto assim, por ser atípica dos outros filmes, pois ela tem uma personalidade mais forte e independente de 007 – ou seja, ela não é biscate, o que pode tornar ela útil em futuras seqüências, espero.

Nem vou encostar na sinopse, melhor deixar a sujeito limpo na hora do filme, saber que ele ocorre logo depois do outro filme é suficiente. Em seguida surgiram ótimos spoilers e diálogos que irão dar o tom de todo ambiente desta nova fase da franquia e da personalidade explosiva e misteriosa de James Bond.

007 – Quantum of Solace faz o básico de todo filme de ação, com alguns errinhos talvez, mas nada que atinja o verdadeiro mérito do filme: dar mais profundidades aos personagens da série, mesmo com um roteiro bastante corrido. Isto sem apelar para vilões excêntricos, bugigangas sacais ou todos os outros clichês do 007. Mas os temas de abertura continuam.

por Dario Mesquita





Canastrice muita é pouca

16 10 2008

[Tropical Thunder, 2008]

Antes de ser uma tão sonhada indústria dos sonhos, Holywood é nada mais do que uma máquina de fabricar dinheiro a base do imaginário popular. Assim, de um lado entram idéias [ditas] tocantes e criativas, para que do outro lado saiam verdinhas que inflamam [ou não] os egos de uns. Ok, a descrição pode estar meio “abaixo-ao-capitalismo”, mas é assim que a roda gira, e assim deve seguir para poder se sustentar [e é disso que o cinema brasileiro ainda precisa, sair do ideal de cinema de autor que vive debaixo das asas dos incentivos do governo, mas nisso não quero tocar no momento].

O problema é saber o limite de toda essa indústria, que por trás esconde seus maiores defeitos e seus shows de canastrices colossais. É esse lado oculto [ok, nem tão oculto!] que Tropical Thunder tenta satirizar, e consegue, dando origem a uma das mais inspiradas comédias dos últimos anos [o que não deve ser tão difícil diante de tantos pastelões =T]. Dirigido, roteirizado e estrelado por Ben Stiller, a película narra os bastidores desastrosos das filmagens de um filme de guerra no vietnam baseado em fatos reais, que tem na direção o cineasta inexperiente Damien Cockburn (Steve Coogan) diante de um elenco de estrelas problemáticas formado pelo  decadente astro de ação Tugg Speedman (Ben Stiller), pelo comediante junkie Jeff Portnoy (Jack Black) e pelo excêntrico Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.).

Com um orçamento de mais de 100 milhões e um cronograma atrasado em 15 dias depois de uma semana de filmagens, o diretor tenta seu último recurso e joga seu elenco no meio da mata para obter alguma cena “real” com equipamento amador. Só tudo dá errado e o quer era para ser mais um canastrice do cinema se torna real e os atores ficam a mercê de guerrilheiros [e traficantes] locais.

Daí começa um remendo sem fim que copia descaradamente outros filmes de guerra/ação. [e nem Missão Impossível escapa!] Não chega a ser a uma homenagem, mas sim uma forma sutil de lembrar que ali dentro tudo se copia ou se reinventa, diante de uma “crise criativa” onde culpam uma tal de cultura pós-moderna onde o cult é fazer referências ao passado [se quer saber uma diferença clara entre copiar e homenagear, assista aos filmes do Quentin Tarantino, e você saberá a diferença]. Mais explícitos são os estereótipos criados em volta dos deficientes mentais e asiáticos, que querendo ou não, são levados com felizes piadas contra o politicamente correto, que servem ainda para representar a indiferença da industria do cinema diante do diferente [afinal, é um filme que fala sobre como fazer um filme… ou quase isso].

E o elenco não poderia ser melhor. Ben Stiller finalmente conseguiu fazer um atuação que me agrade, sem muito esforço claro, afinal, é ele mesmo que está ali, lutando contra suas limitações como ator dramático. Downey emenda mais um sucesso depois de Iron Man e prova saber como se faz humor inteligente. Jack Black cumpre seu papel, apesar de menor, mas suficientemente válido para provar que ele pode fazer algo que não seja comédia feijão com arroz. Já a surpresa fica com o quase irreconhecível Tom Cruise como o famigerado produtor do filme, que se acha deus e que de dez palavras pronunciadas, nove lhe xingam e uma manda você tomar no c*.

Enfim, em Tropical Thunder, Holywood não é apenas se fabrica dinheiro ou sonhos, mas também de muita inutilidade e oportunismo. [E não é a toa que críticas como as South Park sobre o novo Indiana Jones surgem. Afinal, que filme medonho aquele o.O. Há quem goste, mas aquela cena com os macaquinhos…].

Dario Mesquita