Conheça a Corte

26 06 2008

Este não é bem um texto e sim um convite. No próximo sábado acontece no espaço trilhos “A Corte III”. Música, dança, exposições e mostra de vídeos. Passa lá então.

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Fórum de Museus acontece em Florianópolis

25 06 2008

No dia 30 de junho se encerram as inscrições para o 3º Fórum de Museus que acontece em Florianópolis. As inscrições são feitas pela internet e o Fórum será voltado para museólogos, historiadores, antropólogos, artistas, arqueólogos, sociólogos, educadores, professores, secretários estaduais e municipais de cultura, agentes culturais, estudantes e interessados no tema.
O tema do Fórum será “Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento” com a troca de experiências entre sociedade e gestores de museus nas três esferas de poder. Além disso acontecem o 3° Encontro Nacional de Estudantes de Museologia; o Encontro Nacional de Professores Universitários de Museologia e o 2º Encontro Ibero-Americano de Museus.
O Fórum deve traçar diretrizes para democratizar o acesso aos museus instituídos, e ao próprio museu compreendido como tecnologia Durante o Fórum, serão oferecidos mini-cursos de capacitação em diversas áreas de atuação do campo museológico. Também serão reunidos grupos de trabalhos temáticos para discussão das diretrizes da Política Nacional de Museus. O encontro acontece no dia 7 a 11 de julho.
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Carlos Rocha





Edital para Pontos de Cultura será lançado no final do mês

19 06 2008

No final desde mês será lançado o edital para o programa Pontos de Cultura no Piauí. O acordo para a implantação foi assinado na visita do ministro Gilberto Gil à Teresina. O edital abrirá a instalação de mais 80 Pontos de Cultura no Piauí, com investimento de R$ 14,5 milhões.
Segundo a Fundac faltam apenas alguns ajustes entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Fundac para que o edital seja aberto ao público. “A exemplo dos outros Estados, estamos realizando algumas adequações, de acordo com as determinações do MinC. Sabemos da apreensão de todos mas é intento da Fundac lançar um edital sem nenhum contratempo e da forma mais adequada a realidade piauiense”, diz Jairo Araújo, assessor técnico.

Carlos Rocha (com dados da Fundac)





Encontro de Folguedos busca novos espaços e maquia outros

18 06 2008

Novidade dos FolguedosAmanhã (20) começa o XXXII Encontro Nacional de Folguedos do Piauí. O parque Poticabana está todo “arrumadinho” para o evento que segue até o dia 29 com Mostra Nacional de Quadrilhas, Seminários de Tradições Brasileiras, oficinas de dança e música, Festival de Toadas de Bois e shows. Entretanto, cabe perguntar: Será que o parque está arrumado mesmo? Ou será que houve apenas uma maquiagem?
Segundo a Fundac o evento passa por um crescimento e a cada ano surgem novas demandas como o palco das tradições populares com teatro de bonecos, festival de viola e repente, festival de forró, festival de sanfoneiros Sanfona de Ouro e o forró pé-de-serra. Entretanto, a estrutura da Poticabana está ficando a cada ano pior, mais deteriorada e mais remendada para o Encontro de Folguedos. Como as duas coisas conseguem “casar”? Nem você, caro leitor e nem eu sabemos.
Talvez por isso o Encontro está buscando outros espaços como a exposição “Tradições Populares da China”, da Embaixada Chinesa exposta na galeria do Clube dos Diários. Outro espaço é o Seminário Tradições Brasileiras, com debates na Universidade Estadual do Piauí e na Universidade Federal do Piauí.

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Carlos Rocha





A Vida com Novas Cores

16 06 2008

Disco novo apresenta Coldplay se distanciando do som que marcou sua carreira

Inicialmente taxado pelas canções melancólicas reconhecíveis no piano de Chris Martin e na guitarra de Jon Buckland, o Coldplay ganhou notoriedade maior logo com seu primeiro disco, “Parachutes”. Recheado com pequenos clássicos como Don’t Panic e Shiver, o álbum ficou mesmo marcado pelo sucesso de singles como Yellow e Trouble, ambos com repercussão aqui no Brasil. Lançado em 2000, gerou expectativa sobre o próximo trabalho, que sairia dois anos depois.

“A Rush Of Blood To The Head”, como todos sabem, foi o disco que fez o Coldplay tornar-se o que é hoje: rendeu uma vendagem expressiva [12 milhões de cópias], gerou hits radiofônicos e a banda acabou conhecida do grande público. Nese embalo veio a fama e o sucesso, acompanhado pelo enquadramento definitivo no mainstream, além do ego de Chris Martin. O fato é que a tour do disco novo foi extensa, rendeu um DVD ao vivo e revelou a ambição que virou sinônimo de deboche e ironia sobre a banda: o Coldplay queria ser U2.

Ao contrário das críticas apontarem uma simulação sonora por parte de Martin e sua turma do som de Bono e The Edge, a grande proximidade reside mais no envolvimento com causas humanitárias e a pretensão de encher estádios, atingindo um público cada vez maior, pairando como uma espécie de unanimidade.

Embora fosse um desejo meio ambíguo, especulava-se se tal vontade afetaria a música que fariam em diante, já que composições como Clocks apontavam para algo mais, digamos, distante do intimismo e da crueza dos primeiros singles.

Lá se foram 3 anos até a chegada de X & Y, o terceiro de estúdio na carreira deles. Esse trabalho respondeu algumas dúvidas suscitadas. Primeiramente, a banda mostrou buscar novas direções, mas sem mudanças bruscas, talvez outro legado que os irlandeses do U2 tenham deixado. Afinal, arrisca-se com cautela para não perder os fãs, que deram sinal de aprovação para o álbum, com vendas em torno de 10 milhões de cópias. Número vistoso e na contramão da crítica, bastante dura e explícita, rotulando o álbum, entre outras coisas, de preguiçoso e enfadonho, com letras beirando à chatice.

Houve quem apontasse que o disco anterior tinha blindado a banda, que continuava com apresentações lotadas na nova tour. Algumas resenhas posteriores reconheciam que não se tratava de uma obra de gênio, mas o Coldplay continuava bom. Não era apenas uma continuação preguiçosa do A Rush Of Blood To The Head, pois uma evolução mínima se descarregava em detalhes por cada faixa. No fundo, o grupo permitia-se transgredir um pouco a cada lançamento.

O que esse pensamento capta de essencial vale para a interpretação que o quarto disco, lançado em junho deste ano, mas previamente vazado na internet, impõe.

“Viva La Vida Or Death And All His Friends” veio à luz anunciado por várias notícias divulgadas nos últimos meses. Desde a escolha dos produtores Brian Eno e Markus Dravs, passando pelas novas influências até a descrição de algumas músicas feitas pelos próprios músicos, tudo saía na imprensa. Mas a escolha do título, e a razão que levaram Martin a associar Frida Kahlo à sonoridade que rondava o estúdio nas gravações pareceu o fato mais intrigante.

Mesmo aos que aproveitaram a citação para satirizar o que vinha pela frente, não havia quem arriscasse com exatidão como seriam as músicas. A verdade é que as mudanças anunciadas vieram, mas ainda tímidas. Ao menos não na intensidade que a banda poderia oferecer, se assim quisesse.

Sim, há mudanças rítmicas em boa parte do álbum, novas texturas partindo da primeira faixa, a instrumental “Life In Technicolor”, e que se estendem nas subseqüentes, com ligações sutis entre elas. Na introdução de novos instrumentos e orquestrações, o grupo foi criterioso, não sufocando a melodia de belos temas com camadas sobrepostas. Está tudo lá, exigindo apenas uma auscultação mais atenta.

Quando ofereceram o primeiro single, “Violet Hill”, para download gratuito em seu site oficial, a imprensa e os fãs chegaram a supor que o disco seguiria a sua linha. Com sua guitarra suja e bateria maciça impondo-se, marcante [ponto para Will Champion], a canção encarna uma das facetas em que escolheram investir. Prova são as palmas marcando o tempo em “Cemeteries Of London” e “Lost!”, esta com uma melodia irresistível, talvez fruto dos ares espanhóis que tanto impressionaram a banda durante as gravações.

E, sem dúvida, as “viradas” em faixas como “42′” e “Yes” contemplam uma velocidade muito própria ao disco, surpreendendo com a passagem do piano triste de Chris Martin ao dream pop em segundos. São desdobramentos que deixam uma vivacidade mais atraente, desdobrando-se em invocações que vão do amor ao protesto político mais claro. Como ponto fraco destaca-se “Strawberry Swing”, que se perde no conjunto por repisar variações estilísticas previamente usadas no disco.

A mão dos produtores mostrou-se precisa em induzir mais do que realmente existe, sem, entretanto, perder a autenticidade. O interessante é que não decepciona de verdade, não importa se quem esperava mais do mesmo ou aguardava mudanças que o colocassem num novo patamar. Sem dúvida, os tons que permeiam o disco são dissonantes dos trabalhos anteriores, dando razão à associação proposta por Martin. As notas revelam-se e se contraem num plano de fuga que, surpreendentemente, não cheira à indecisão. As cartas são dadas na medida em que as novas experimentações foram absorvidas. O Coldplay passa por mais um teste, indicando a busca de novos caminhos, cada vez mais ensolarados.

Por Rafael Galeno Machado





Loucura iluminada

13 06 2008

Publicado pela primeira vez no Brasil, pela editora Aleph, “Valis” é uma das últimas obras de Philip K. Dick, escrita em 1978 e editada em 1981. Nesta publicação, o famoso escritor de ficção científica explora uma mistura incomum na literatura: um tratado teológico fantasioso, metafísica galáctica, dominação mundial e pedaços da vida real de Philip K. Dick.

A história nasce a partir de um acontecimento pessoal do escrito, quando ele passou a ter estranhas visões proféticas em 1974. Para transpor isto, Dick ser recria em suas páginas através da máscara de Horselover Fat, ele mesmo escondido sob sua confusão mental em tentar revelar a grande verdade do universo através da exegese [que realmente existe e deve publicada por inteiro em alguns anos].

E é através deste livro que chego à conclusão da vida confusa que Dick levava. Inconformado com os desfechos pessoais, e da incapacidade de discerni a dualidade com a qual encarava a vida, diante de uma realidade ambígua e inconstante. Primeiro um drogado, que gritava contra ao real e afirmava a impossibilidade de atestar o que seria ilusão ou não.

Depois, por conta das drogas ou não, ele mergulha numa espiral psicodélica de ser um mensageiro de um deus esquecido, que representaria o puro conhecimento, vindo de uma outra dimensão para curar a insanidade de seu irmão-universo [sim, é esse o tema de todo livro, onde Horselover é um fanático por uma religião esquecida].

Há ainda um filme obscuro com líderes de torcida, por onde se traria em suas entrelinhas visuais a grande verdade sobre o universo, amigos confusos entre conversas do dia-a-dia, roqueiros messiânicos, um bebê profeta e referências religiosas escrotas [escrotas mesmo!], que misturam catolicismo, mitos pop e seja-lá-o-que-mais! Ainda há aquele ar melancólico de suicidas natos, desgarrados em ilusões de grandiosidade, que se topam de drogas e viram vampiros da vida alheia. Uma salada irreal de personagens que tentam colocar ordem no cotidiano banal de suas vidas.

O livro poderia ser até um porre, um chute na paciência humana com suas longas discussões que parecem não desaguar em lugar algum [apenas parecem]. Mas Philip sabe escrever, e como! Seus diálogos, apesar de cotidianos e banais, nunca cansam, sempre intrigam. Em suas colocações, por mais idiotas que pareçam, ele sempre as desenha com um olhar crítico sobre os personagens – que são todos baseados na vida real. A todo instante ele próprio se vigia, e acredita, mesmo curado, que uma verdade rasteja sobre seu passado messiânico.

O duro é saber o quão verdadeiras podem ser suas fontes históricas e teológicas.

A quem interessar, scans em inglês da versão de Robert Crumb sobre a visão de Dick que inspirou a obra [e meu primeiro contato com o assunto há uns anos atrás].
http://www.philipkdickfans.com/weirdo/weirdo1.htm

Por Dario Mesquita





O novo de novo, e sobre um skate

8 06 2008

Nick Hornby lança livro voltado para público jovem, mas não se afasta de estilo que o consagrou

Talvez o escritor mais pop do mundo, em todo o poder desta expressão, Nick Hornby aporta nas livrarias brasileiras com o seu mais novo lançamento, Slam, voltado para o universo juvenil, tratando de um tema nada amistoso: gravidez na adolescência.

Escritor marcante pela verve irônica e proximidade de seus personagens com a realidade contemporânea, já teve três de suas obras adaptadas ao cinema, como Alta Fidelidade e Um Grande Garoto, todas com sucesso. Com sua fórmula cheia de citações musicais e sentimentos familiares a nossa geração, Hornby criou um público cativo para seus livros, ainda que tenha produzido textos controversos, a exemplo de Uma Longa Queda, de teor adulto e carregado, que também está tomando o caminho das telonas.

Agora, voltando seu trabalho para um público mais jovem: o autor inglês traça a vida de um adolescente que vê suas perspectivas mudarem com a gravidez da namorada. O tratamento dado não chega a ser leve, mas passa longe de ser uma compilação didática do tema ou uma lição moralista sobre os riscos do sexo sem prevenção. Até porque esse tom soaria dissonante de sua obra.

Os conflitos vividos pelo personagem principal, Sam, e sua namorada Alicia surgem genuínos diante da complexa situação que enfrentam, com problemas difíceis de lidar para sua idade, 16 anos. Apaixonado por skate e sem grandes preocupações com o futuro, Sam vê seu mundo mudar drasticamente com o filho que se avizinha. Procurando ajuda com seu “amigo” Tony Hawke [ou melhor, com o pôster do famoso skatista pregado na parede de seu quarto e com quem julga conversar], o protagonista abre espaço para questionamentos sobre mudanças em sua vida e na realidade a sua volta. Afinal, precisa assimilar as angústias e cobranças que crescem junto com a barriga da namorada, e lidar com a nova postura que as mudanças impõem.

Em seus melhores momentos, Hornby repete neste livro a qualidade que o consagrou: falar um pouco de quem o lê e se identifica nas peripécias imaginadas por ele. É até um lugar-comum reconhecer-se em personagens como Will e Rob Fleming. Embora utilize recursos duvidosos para antecipar as agruras de seu novo protagonista, no fundo trata de uma pessoa comum com um problema cada vez mais comum para lidar. E que vive um cotidiano reconhecível: SMS, X-Box, Green Day, Jennifer Aniston e Starbucks.

O autor estabelece um diálogo honesto com os elementos mencionados, tornando desconcertante algumas passagens por serem antes críveis que cômicas. É capaz de basicamente contar a mesma estória várias vezes e ainda assim serem sempre imprevisíveis, pois como cada um de nós, seus personagens levam tombos e quedas na vida. O importante é saber como se levantam. E disso Nick Hornby mostrou que sabe falar como poucos, seja para uma geração ou para outra.

Rafael Galeno