Um pouquinho aqui

23 04 2008

Da última vez que escrevi comentei a respeito da criação de um acervo de escritores mineiros cirado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e critiquei a falta de empenho do poder público para criar iniciativas semelhantes para os autores piauienses. A Mariana Gonçalves comentou comigo que há uma iniciativa nesse sentido e fui conferir.
O “Forte Café” tem uma biblioteca com alguns autores piauienses. Fui lá e pude ver algumas coisas importantes dentro da literatura local. Segundo o que Mariana me contou o dono do local (não tive como conversar com ele) tinha dito que a procura pelas obras de autores piauienses é pequena. Apesar de muitos livros oficiais, entre discursos e outras coisas governamentais é um acervo bom e que costuma passar desapercebido por quem anda em frente ao local pensando no que vai comer ou no que vai comprar.
Fui ter contato com a literatura piauiense com as obras indicadas como leitura obrigatória para o vestibular. Mas, com as primeiras leituras é difícil deixar de gostar. Um “Beira Rio, Beira Vida”, de Assis Brasil não pode ser desprezado como um retrato da Parnaíba de outras épocas em que havia ainda alguma opulência e prosperidade. Outro exemplo é “Ulisses entre o amor e a morte”, de O.G. Rego de Carvalho, que mesmo sem ser o melhor livro dele consegue prender a atenção do leitor.
Tomara que os autores locais ganhem mais valorização, afinal eles contam a história deste Estado e merecem consideração, sem nenhum tipo de bairrismo.
Carlos Rocha





Coisas que deveriam ser copiadas

11 04 2008

Há locais que você visita que tornam certas comparações inevitáveis. Por ocasião do III Simpósio Internacional sobre Análise de Discurso, conheci a biblioteca central da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e não pude evitar fazer uma comparação com o Piauí. A biblioteca possuía um acervo de escritores mineiros. Mas não era somente os livros que o escritor publicou e sim um museu sobre a vida da pessoa.

De acordo com o nosso guia, o qual o nome me falta agora, o acervo era constituído apenas com as doações das famílias dos escritores falecidos. Atualmente, estão lá livros e objetos pessoais de cinco escritores mineiros: Henriqueta Lisboa, Oswaldo França Júnior, Murilo Rubião, Cyro dos Anjos e Abgar Renault. É um acervo simplesmente fascinante , já que traz detalhes sobre a vida daquela pessoa. Por exemplo não há fotos e Henriqueta Lisboa sorrindo. “Talvez fosse pela época em que ela viveu”, explica o nosso guia.

É algo tão grande e tão especialmente montado, que você se pergunta: e no Piauí? O que eu li sobre literatura piauiense foi pela extinta editora Corisco. O que há de preservação da literatura piauiense ao alcance da população com o destaque que merece? Não adianta dizer que é simplesmente falta de auto-estima ou complexo de inferioridade, mas é simplesmente ter de reconhecer que os mineiros são mais competentes que os piauiense em preservar a memória de seus escritores.

P.S.: O Acervo já conseguiu os livros e objetos pessoais de Fernando Sabino e em breve deve passar a expô-los. Se você quiser conhecer um pouco do acervo, clique aqui.

Carlos Rocha





Brilhando Cada Vez Mais Forte

6 04 2008

Novo documentário de Martin Scorsese revela mitos vivos do rock em seu habitat natural

Os Rolling Stones sempre foram uma banda que mostrou o seu poder de fogo em cima dos palcos. Afora discos clássicos de estúdio como Beggar’s Banquet, Sticky Fingers e Some Girls, os Stones fizeram boa parte da sua história em performances antológicas, sejam marcadas pela tragédia como em Altmont em 1969, seja pela grandiosidade, como bem comprova a apresentação em Copacabana para mais de 500 mil pessoas em 2006 (ambas disponíveis em DVD).

Martin Scorsese, ao decidir-se por fazer um filme sobre a banda, captou esse potencial, reconhecendo aí o grande foco a ser explorado. Nada seria mais real que mostrá-los diante de uma platéia, momento em que hipnotizam e mostram porque chegaram tão longe. Intitulado Shine A Light, o documentário descortina as apresentações registradas no Beacon Theatre de Nova York com 20 câmaras, onde o grupo está a todo vapor. Entrecortando os shows, imagens de arquivo e entrevistas, notadamente dos anos 60 e 70.

A trilha sonora, que ganhará duas versões, simples e dupla, revela a catarse musical que eles são capazes de provocar: optando um setlist variado, que privilegia os clássicos mais antigos (uma tendência presente já no disco ao vivo anterior da banda, Live Licks), os Stones trabalharam as canções de uma forma mais direta, crua, num reflexo do próprio ambiente das apresentações.

Partindo com Jumpin’ Jack Flash, a banda desfila clássicos mais óbvios sucedidas por preciosidades como All Down The Line e As Tears Go By num ritmo frenético. Contando com três participações especiais, o grande destaque fica pela guitarra acachapante de Buddy Guy em Champagne and Reffer. Jack White é o menino que realiza seu sonho ao tocar ao lado de Mick Jagger em Loving Cup, e Christina Aguilera é a voz que estraga Live With Me, o que deixa claro a sua inabilidade para o rock, fora dos seus truques habituais.

Responsáveis por um dos melhores álbuns ao vivo de rock de todos os tempos, Get Ya-Ya’s Out!, lançado em 1969, os Rolling Stones provam que a idade não tem pesado no trabalho, pelo contrário, os deixaram com um domínio excepcional de palco, agora filmado por um dos maiores gênios do cinema. Com estréia marcada no Brasil para 4 de abril, resta aguardar a experiência completa de som e imagem que só Scorsese, fã confesso da banda, poderia fornecer.

Links para o disco duplo: 12 [Créditos]

Rafael Galeno