Você lembra das bandinhas de música?

7 03 2008
projeto musicaAté a próxima sexta (14/03), está aberto o edital do Programa Nacional Bandas de Música. O edital, do programa de nome pomposo será destinado à compra de instrumentos de sopro para bandas de música que tenham uma organização interna e concedam cursos para a formação de instrumentistas.O edital vai beneficiar aquelas bandinhas de música que todos ouviram tocar durante a infância, com instrumentos de sopro e percussão, excluindo as bandas militares, marciais, de pífanos, religiosas e de rock. A seleção dos projetos será realizada pela Funarte (Fundação Nacional de Arte), vinculada ao Ministério da Cultura, e terá o resultado divulgado no máximo dia 14 de abril.Devem ser premiados pelo menos 138 projetos orçados em até R$ 20 mil, em todos os Estados do país. O Piauí deverá ter pelo menos quatro projetos contemplados, assim como a maioria dos outros Estados. A Funarte também selecionará mais 54 projetos, divididos em dois para cada Estado, que podem ser parte de uma reserva para os projetos que apresentarem problemas.

O Programa Nacional Bandas de Música é uma das ações do Projeto Bandas, desenvolvido desde 1976 pelo Centro da Música da Funarte. Além do programa que viabiliza a aquisição de instrumentos, o Projeto Bandas mantém um cadastramento das bandas de todo o País, promove cursos de reciclagem para instrumentistas e regentes, além de cursos de manutenção e reparos em instrumentos de sopro. O Projeto também edita e distribui partituras especialmente arranjadas para bandas, assim como o Manual de Reparo e Manutenção de Instrumentos de Sopro.





O Eterno Retorno

5 03 2008

Stallone reencena com competência o soldado em sua guerra interior

 

Cartaz John Rambo

John Rambo é um dos maiores ícones dos filmes de ação que já surgiu. Parodiado, citado, o fato é que, desde 1982 [ano em que saiu Rambo I – Programado Para Matar, First Blood no original], o atormentado veterano de guerra, interpretado por Sylvester Stallone, extrapolou o mundo do cinema e se tornou um emblema da cultura americana de muitos significados. Se não explorado em todo o seu potencial psicológico e cênico, a exemplo do coronel Kurtz de Apocalypse Now [outra “vítima” da campanha enlouquecedora no Vietnã], Rambo contribuiu para a construção do imaginário violento muito comum nos filmes americanos de outrora: o homem que sozinho resolve todos os problemas os quais enfrenta.

A estética abordada nos três primeiros filmes da série [todos dos anos de 1980] se tornou fórmula, inclusive como modelo de personagem raso, cuja presença na tela justifica apenas explosões e tiros.

Sempre neguei esse tipo. Em parte pelo interesse que seus filmes me despertam, vejo em Rambo um ser humano aprisionado pelo destino que lhe persegue, fazendo aflorar seu lado selvagem, preparado para uma guerra que nunca quis. E seja qual fosse, ele acabaria envolvido, a começar pela própria sobrevivência.

Adaptado do romance escrito por David Morell, originariamente o personagem morreria no final da primeira película. Mas o desfecho foi re-filmado, permitindo não só sua sobrevida, como a realização de continuações: e foi nelas que o produto acabado de “herói” passou a vigorar, um fardo que reteve sua verdadeira natureza. O conflito interior fica em segundo plano, sobreposto pela figura comum de soldado a cumprir missões para o governo americano.

Interessante a imagem forjada nas duas seqüências realizadas então, pois ela reflete em Rambo toda a destreza militar intervencionista dos Estados Unidos em anos de Guerra Fria. Justamente o contrário da crítica inicialmente proposta, representada no homem que volta de uma guerra perdida, completamente alterado por ela, e que se sente desorientado em sua nova realidade social.

Após 20 anos, quando não haver mais missões que fizessem Rambo revolver sua conturbada natureza, eis que surge Rambo IV, definitva [por enquanto] aventura do ex-boina verde. Quando o filme foi anunciado em 2007, fiquei um pouco apreensivo.

Stallone, em sua fase de re-visionismo cinematográfico, decidiu resgatar um de seus maiores sucessos. Mas as perguntas suscitadas pelos fãs e críticos não eram desprezíveis: afinal, para quê? Agüentaria o ator mais um empreendimento desse porte aos 61 anos? E, acima de tudo, em que mundo caberia Rambo agora?

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Afinal, os conflitos são outros, e nada que o dissesse respeito. Nem a cronologia do personagem justificava o revival. Ela está longe de uma encrenca como a guerra contra o terror, onde a complexidade de seu início e prolongamento não caberia dentro do conceito reduzido de “herói e vilão” em que Rambo trabalhou tão bem. O filme poderia até ser inconveniente como uma possível prestação de contas diante do enredo formado em seu terceiro filme, o que não caberia pela temática adotada tradicionalmente na série. Não, Rambo não combateria extremistas islâmicos que ajudou então como rebeldes contra a ocupação soviética há duas décadas.

Stallone, que dirigiu, co-escreveu e atuou na nova produção, encontrou um nincho bem adequado para suas concepções. Mianmar, um pequeno país asiático que vive sob o julgo de uma ditadura militar e que reprime sistematicamente uma minoria étnica, a tribo Karen, é um cenário ímpar para o ex-boina verde. Aqui ele pode relacionar o bem e o mal de forma clara, e extravasar toda sua fúria em auxílio ao lado que acredita certo. Se o simplismo da ação de seus filmes está de volta, também reencontramos o lado truncado e amorfo da psicologia que lhe move.

Isolado do mundo e vivendo pacificamente na fronteira da Tailândia com Mianmar, Rambo é procurado por um grupo de missionários para que os leve em auxílio aos refugiados da guerra civil no país vizinho. Cético diante de suas boas intenções, aceita realizar o transporte – sempre relutante em revelar sua identidade e seu passado sangrento. Continuaria sua existência pacífica se o seqüestro do grupo pelos repressores do regime autoritário e a subseqüente organização de uma missão de resgate não o chamasse ao combate.

Mais uma vez Rambo retorna às armas por uma guerra que não é sua, mas que o envolve abruptamente. Aqui, Atormentado pelas suas lembranças [representadas em um eficiente flashback], precisa tomar uma decisão, e acaba aceitando num fatalismo sem precedentes a sua persona sanguinária e sedenta pelo combate. E é no resgate dos missionários e posterior enfrentamento dos militares mianmarenses que mostra à que veio.

 

Cenas extremamente violentas. atente para o pouco

Aos olhos do espectador, nada de malabarismos visuais: é basicamente a ação crua que já caracterizou a série, em um nível “destrutivo”, por assim dizer, mais intenso. Munido de uma faca, metralhadora – ou com as próprias mãos – Rambo derrama sangue de uma forma nunca antes vista. Não há piedade com seus inimigos, e talvez tanta truculência se justifique pela representação que eles tomaram aos olhos do velho soldado, a de seu conflito interno finalmente enfrentado de forma plena, e resolvido.

Se Stallone segue à risca a fórmula inventada por ele mesmo, ao menos o faz com dignidade, principalmente na cena derradeira, que enlaça o início e o fim da saga, num contraponto aos anseios do personagem, reduzidos na frase “Viva por nada ou morra por algo”, dita a certa altura aos seus asseclas. Mesmo na inevitabilidade em que se apresenta, é possível vislumbrar para Rambo um caminho não marcado pelo sangue.

P.S.: A lamentar a ausência do personagem Coronel Samuel Trautman, presente em todos os filmes anteriores da série e o único próximo a entender a mente complexa de Rambo. O ator que o interpretava, Richard Creena, faleceu em 2003 de câncer.

Rafael Galeno Machado





Concurso vai escolher bolsistas na área de patrimônio

1 03 2008

Neste mês de março a Unesco vai lançar concurso para escolher bolsistas na área de Patrimônio Mundial. O concurso é promovido pela Unesco e a Organização Não Governamental Francesa Vocations-Patrimoine. Na seleção um dos candidatos deverá ser profissional da área fim e que esteja trabalhando em um sítio classificado como Patrimônio Mundial.

Atualmente no Brasil há 17 sítios na lista do Patrimônio Mundial, entre eles o Parque Nacional da Serra da Capivara, criado em 1979 e que entrou para a lista de sitos como Patrimônio Mundial em 1991. As bolsas serão oferecidas apenas no âmbito de Mestrado em Ciências Humanas, opção Estudos do Patrimônio Mundial e serão realizados os referidos estudos na Universidade Técnica de Bradenburg, em Cottbus, na Alemanha.

Mais informações em: http://www.tu-cottbus.de/whs

Carlos Rocha