Música Clássica na Scania

31 07 2008

O projeto “Um Piano pela Estrada – Brasil Sertões”, com o pianista Artur Moreira Lima está no Piauí durante toda esta semana. Passando pelas cidades de Parnaíba, Piripiri, Campo Maior e Altos o projeto leva música clássica em um caminhão Scania. As quatro cidades fazem parte de um roteiro que neste ano conta com 60 consertos em 14 Estados, chamado de “Brasil Sertões”.

Foi o próprio pianista que criou o projeto “Um Piano pela Estrada”, com o propósito de a música de concerto aos mais diversos lugares e públicos através de um Caminhão-Teatro. O Scania nas apresentações do pianista se transforma em um palco de 42 metros quadrados, com uma estrutura completa de som e luz. Até o final do ano passado foram 205 apresentações, para meio milhão de pessoas em mais de 100.000km de percurso em 23 estados.

No roteiro atual designado de “Brasil Sertões”, o caminhão passa pelo Piauí e os Estados da Bahia, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Pará, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. As apresentações aconteceram ao longo desta semana nos municípios de Parnaíba (27/07), Piripiri (28/07), Campo Maior (29/07) e Altos (30/07), priorizados pelos seus aspectos históricos, culturais e econômicos.

O concerto tem cerca de 1h30min de duração e em seu repertório estão presentes obras de Bach, Mozart, Beethoven, Chopin, Liszt, Pixinguinha, Villa-Lobos entre outros compositores da música clássica e popular brasileira universal.

Para ver mais sobre o projeto e sobre o pianista clique aqui

Carlos Rocha





Vai lá!

30 07 2008

Na semana passada voltei a um local que fazia tempo que não ia: o Espaço Osório Júnior, no Clube dos Diários. No local acontecia o projeto Boca da Noite com o cantor James Brito. Esta semana a atração do projeto é o cantor e compositor Humberto Barbosa. O interessante é que mesmo sem uma divulgação que possa ser considerada mais ampla, o projeto atrai um público forte.

Humberto Barbosa nasceu em Petrolina, no sertão Pernambucano, às margens do Rio São Francisco. Essencialmente compositor, ele teve seu envolvimento com a música ainda no período estudantil, onde fez parte de um grupo que se espelhava em performances de grupos nordestinos e nortistas, e que fazia shows alternativos e participava de festivais do local.

Nas cidades de São Paulo e Recife, onde residiu, manteve contatos com músico que tem a mesma linguagem musical que a sua, além de buscar aperfeiçoamento voltado para pesquisas sobre folclore regional. Já no Piauí gravou os CDs Anauê e Quintais, de onde obteve um excelente aprendizado musical.

Humberto Barbosa pretende englobar o que de melhor existe no que conseguiu adquirir em pesquisas, dando impulso para a continuação da jornada. Ele tem como meta fazer parte do cenário cultural, procurando fazer uma música com características regional brasileira, como baião, xote, modinha, coco, martelo, embolada.

Carlos Rocha





Teresina é Pop escolhe 15 bandas

24 07 2008

A Fundação Monsenhor Chaves divulgou o nome das 15 bandas que vão tocar nos três dias do festival Teresina é Pop. Ao todo, segundo a organização do evento, foram recebidas 54 inscrições de bandas e artistas interessados em tocar no Teresina é Pop. A seleção dos 15 que vão tocar no festival coube a uma comissão formada pela FCMC, integrantes da FM Cultura, produtores culturais e organização do evento.

Para este ano são prometidas várias atividades além das atrações musicais no Teresina é Pop. É esperada a participação do Núcleo de Criação do Dirceu e exibição de filmes e fotografias. Os filmes a serem exibidos são curtas metragens que fizeram parte do estival de Vídeo de Teresina e Festival de Filme de 60 segundos. A abertura nos três dias do Teresina é Pop, 14, 15 e 16 de agosto, caberá a Sérgio Matos e quarteto de cordas.

O evento começa sempre às 19 horas no Espaço Cultural Noé Mendes. Para o dia 14 estão escalados Fullreggae, Radiofônicos, Eucapiau, Clínica Tobias Blues e Scud. No dia 15 tocam Captamata, Obtus, Karranka, Roque Moreira e Validuaté. Para o dia 16, aniversário de Teresina, tocam Narguilê Hidromecânico, Batuque Elétrico. Cabesativa, Megahertz e Eita Piula.

Para conferir mais detalhes entre no site da Fundação Monsenhor Chaves.

Carlos Rocha





Filmes em bancos de dados

23 07 2008

Até o dia 1º de setembro o banco de dados da Programadora Brasil recebe inscrições para obras audiovisuais. Para se inscrever basta a pessoa física ou jurídica efetuar a inscrição na página eletrônica do projeto apresentando o Certificado de Produto Brasileiro (CPB), emitido pela Agência Nacional de Cinema (Ancine).

Podem ser inscritas obras audiovisuais de qualquer gênero, formato e ano de realização com duração mínima de cinco minutos e máxima de 120 minutos. Segundo o Ministério da Cultura não serão aceitas séries realizadas para Televisão. Podem ser inscritos mais de um título, sendo que para isso basta o responsável pela inscrição encaminhar uma cópia da obra em DVD para a Cinemateca Brasileira. Esta cópia estará sob o cuidado da Coordenação de Programação e Produção da Programadora Brasil.

Segundo o Ministério da Cultura a inscrição não garante a inclusão dos títulos no projeto e se o projeto for incluído os filmes e vídeos serão contratados, sem exclusividade, pelo período mínimo de três anos e serão disponibilizados em DVD para pontos de exibição não-comerciais associados ao projeto, através de um sistema online de aquisição. A Programadora Brasil é uma ação da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, realizada através da Cinemateca Brasileira e do CTAv – Centro Técnico do Audiovisual, em convênio com a Sociedade Amigos da Cinemateca.

A Programadora Brasil compromisso de difundir, por meio de catálogos, os filmes e informações relativas à produção audiovisual contemporânea e os filmes históricos da cinematografia brasileira, disponibilizando programas a circuitos de difusão pública não-comerciais, culturais e educativos.

Para mais informações veja o site da Programadora Brasil

Carlos Rocha





A ordem do caos

22 07 2008

Batman: Cavaleiro das Trevas [2008]

Parece que finalmente alguém absorveu por completo os significados dos quadrinhos e do mito dos heróis pops. Mesmo Batman: Begins vira fichinha diante do que Christopher Nolan [produtor, roteirista e diretor] fez em sua seqüência. E o que fascina não chega a serem as ótimas atuações [sem exageros, sem coadjuvantes irregulares] e nem a direção pontual [intensas ações paralelas, cenas grandiosas que sufocam o espectador].  Cavaleiro das Trevas prima pelo roteiro, que é denso, inteligente, que trabalha na função de desfiar uma trama que arremata todos os personagens, em especial Harvey Dent (Aaron Eckhart), um coadjuvante que funciona como uma engrenagem que liga duas forças opostas.

Se o primeiro filme focava a origem do herói e soava forçado em algumas cenas, o segundo é mais espontâneo e se volta mais para o espírito de urbano de Gotham, representado pela tríade de Batman (Christian Bale), Coringa (Heath Ledger) e Harvey Dent [o suporte do caos e da ordem].

Ao contrário dos vários filmes de super-heróis onde os coadjuvantes são meros peões, aqui eles preenchem a tela e dão sentido ao filme. Por isso as tão comentadas duas horas e meia de filme para tantas tramas, ou para as longas seqüências de sadismo do Coringa [que tem as melhores falas].

E esqueçam tudo o que foi feito com o Coringa nas telas, esta é sua versão mais fiel e digna [mesmo que tenha ouvido todas as formas de elogios possíveis, a atuação de Heath Ledger sempre surpreenderá]. Nada de piadinhas tocas, risadas perfeitas ou música circense nas suas aparições. E nem mesmo a simples e batida ambição de ladrão de banco. Aqui, ele é artista a favor do caos, um elemento necessário diante da força de Batman em Gotham.

Não é exagero quando afirmo que este filme é um marco no gênero. Uma obra que redefiniu um novo patamar de qualidade e deixou um abacaxi enorme nas mãos dos próximos produtores que pretendem bancar algum filme para a DC ou um prometido Liga da Justiça.

Cavaleiro das Trevas é um filme pé no chão, dramático e humano demais para um universo conturbado e exagerado como o dos heróis da DC Comics [ao contrário da Marvel que sempre "nivelou" seus filmes para que eles pudessem conviver em um mesmo universo]. Esta ultima seqüência do Batman é tão singular, que, encaixar o personagem em qualquer outro projeto seria uma ofensa a obra [e aos fãs que saíram com os olhos brilhando depois da sessão de cinema]. Mas principal medo é quando surgir a próxima seqüência da obra de Nolan.

por Dario Mesquita





Albert Piauí

21 07 2008

Quando falamos de Albert Piauí lembramos logo do Salão de Humor, da Fundação Nacional do Humor, dos inúmeros cartuns criados para jornais locais e nacionais. O que muitos não sabem é como a boemia contribuiu para esse ilustre fazer parte do cenário jornalístico, cultural e artístico piauiense e nacional.

Natural de Luzilândia, chegou a morar em Goiatuba-GO e no Rio de Janeiro, mas sua trajetória artística começa mesmo na cidade de Teresina. Chegando à capital piauiense no ano de 1968, Albert conheceu um campo fértil para produzir. Antes de mudar-se para a capital, conhecia os traços de cartunistas nacionais como Millor Fernandes e Ziraldo, mas sua identificação com o movimento cultural ainda não nascera. Isso ocorreu durante encontros com amigos na Rua Benjamin Constant, no Centro da cidade, onde morou na adolescência pôde desfrutar da proximidade com a música. Vizinho de um maestro do 25º Batalhão de Caçadores do Estado, sendo este pai de três filhos, todos músicos, contou com este contato para apreciar a arte musical.

Estando entre artistas e influenciado pelo jornal carioca O Pasquim foi aos poucos se apaixonando pela produção jornalística, pois muitos dos jornalistas do jornal carioca pertenciam ao campo artístico. Aos dezoito contribuíra com cartuns no jornal O Dia, mas a paixão e a produção de cartuns surgiram bem antes, ainda na sua cidade natal.

Quando o pai de Dodó Macedo foi transferido de Piracuruca para a cidade de Luzilândia, cidade a beira do Parnaíba há 242 km da capital, Teresina, não imaginava encontrar na cidade alguém que desfrutasse da mesma paixão dele pelos quadrinhos. Quando procurou alguém que teria algumas revistas em quadrinhos indicaram-no a um outro garoto, chamado Albert . A partir desse momento, os dois passaram a compartilhar um interesse em torno dos desenhos e logo mais as charges e cartuns.

Em Teresina, Albert guardou consigo essa paixão pelo humor no jornalismo, e com as amizades na capital foi conhecendo aqueles que faziam o movimento cultural na cidade nas décadas de 60 e 70.

Pôde contribuir primeiramente no jornalismo cultural escrevendo sobre música em uma coluna no jornal piauiense O Dia. Mesmo tendo feito uma charge para o jornal O Estado, demorou um pouco até que pudesse contribuir com aquela que era sua principal paixão desde a infância, o cartum.

Com o seu trabalho em mídia impressa obteve reconhecimento na cidade, sendo chamado por um grande nome do teatro da época, Tarcísio Prado, para ser cenógrafo de um programa cultural da recém criada TV Clube o: “TP Estúdio”.

Começou a fazer parte da chamada ala dos artistas marginais, ou seja, aqueles que participavam do movimento cultural, mas estavam de fora da arte constituída produzida pelos pertencentes a academia piauiense de letras. Em bares como o Gelatis, na Avenida Frei Serafim eram produzidas canções e produções artísticas.

Devido a repreensão da ditadura militar era difícil saber quem era ou não um espião do governo. A única forma de driblar isso e produzir arte de denuncia era dentro da marginalidade. E essas idéias e ideais eram criados nas rodas artísticas em bares da capital.

Numa dessas rodas surgiu o tão conhecido Salão de Humor do Piauí. Albert Piauí, Zé Elias Área Leão e Kenard Kruel criaram a idéia do salão aos moldes do que existia em Piracicaba – SP com a finalidade de salvar a cultura que era produzida no Estado. Durante o Salão de Humor seriam expostas inúmeras produções locais e nacionais, elevando o gênero a uma popularidade ainda não conquistada em terras piauienses.

Com algumas facilidades políticas – Zé Elias trabalhava na então secretaria de cultura do Estado – o salão saiu. Pequeno ainda, mas aos poucos foi crescendo e tornando-se marca registrada no folclore local.
Idéias e produções criadas dentro das rodas de bate-papo entre amigos e acompanhadas por bebidas só foram cessadas quando Albert resolveu conhecer melhor o espiritismo. Levado por uma namorada conheceu a Fundação Espírita participando de estudos sobre a principal obra produzida com a temática: O Livro dos Espíritos. Assim, inicia-se uma busca pelo crescimento de outro lado seu, o espiritual. Proporcionando a partir desse episódio construções importantes na sua trajetória.

Sem dúvida um dos principais legados de Albert Piauí são a Fundação Nacional do Humor e o Salão do Humor. No entanto, os mesmos sofrem alguns problemas administrativos. Segundo o Albert, as dificuldades do salão de humor ocorrem por uma dificuldade sua de comunicação com os outros setores da sociedade civil, coisa que, segundo o próprio cartunista, ele não faz tão bem como a sua arte “eu acho que eu não sou um bom administrador porque eu estou tentando reformar um prédio a dez anos eu não consigo reformar”, afirma.

Muitas vezes por falta de um planejamento prévio, as atividades do Salão e da Fundação são minimizadas. Como o que ocorrera em 2007. Ano que comemorava as 25 edições do evento de humor no Piauí, mas que por falhas no processo de organização deixou-o bem menor que edições anteriores.

Emanuel Alcântara

Para conferir a primeira parte clique aqui.





O Boêmio

20 07 2008

Quando falamos de Albert Piauí lembramos logo do Salão de Humor, da Fundação Nacional do Humor, dos inúmeros cartuns criados para jornais locais e nacionais. O que muitos não sabem é como a boemia contribuiu para esse ilustre fazer parte do cenário jornalístico, cultural e artístico piauiense e nacional.

Natural de Luzilândia, chegou a morar em Goiatuba-GO e no Rio de Janeiro, mas sua trajetória artística começa mesmo na cidade de Teresina. Chegando à capital piauiense no ano de 1968, Albert conheceu um campo fértil para produzir. Antes de mudar-se para a capital, conhecia os traços de cartunistas nacionais como Millor Fernandes e Ziraldo, mas sua identificação com o movimento cultural ainda não nascera. Isso ocorreu durante encontros com amigos na Rua Benjamin Constant, no Centro da cidade, onde morou na adolescência pôde desfrutar da proximidade com a música. Vizinho de um maestro do 25º Batalhão de Caçadores do Estado, sendo este pai de três filhos, todos músicos, contou com este contato para apreciar a arte musical.

Naquela rua, dentro das rodas de música, acompanhada de cachaça misturada com coca-cola, tocando e cantando músicas da época como a Jovem Guarda e a Tropicália, Albert teria os primeiros contatos com a arte e com alguns artistas da Teresina daqueles dias.

Estando entre artistas e influenciado pelo jornal carioca O Pasquim foi aos poucos se apaixonando pela produção jornalística, pois muitos dos jornalistas do jornal carioca pertenciam ao campo artístico. Aos dezoito contribuíra com cartuns no jornal O Dia, mas a paixão e a produção de cartuns surgiram bem antes, ainda na sua cidade natal.

Quando o pai de Dodó Macedo foi transferido de Piracuruca para a cidade de Luzilândia, cidade a beira do Parnaíba há 242 km da capital, Teresina, não imaginava encontrar na cidade alguém que desfrutasse da mesma paixão dele pelos quadrinhos. Quando procurou alguém que teria algumas revistas em quadrinhos indicaram-no a um outro garoto, chamado Albert . A partir desse momento, os dois passaram a compartilhar um interesse em torno dos desenhos e logo mais as charges e cartuns.

Em sua cidade natal, Albert Piauí teve acesso as principais revistas da época, como a publicação O Cruzeiro que reunia o melhor do humor no jornalismo na época. Usado como forma de mídia de resistência, a charge e o cartum, puderam retratar fatos e personagens que marcavam os “anos de chumbo. Na tentativa de fugir dos órgãos de repreensão existentes.

Em Teresina, Albert guardou consigo essa paixão pelo humor no jornalismo, e com as amizades na capital foi conhecendo aqueles que faziam o movimento cultural na cidade nas décadas de 60 e 70.

Pôde contribuir primeiramente no jornalismo cultural escrevendo sobre música em uma coluna no jornal piauiense O Dia. Mesmo tendo feito uma charge para o jornal O Estado, demorou um pouco até que pudesse contribuir com aquela que era sua principal paixão desde a infância, o cartum.

Com o seu trabalho em mídia impressa foi reconhecido na cidade, sendo chamado por um grande nome do teatro da época, Tarcísio Prado, para ser cenógrafo de um programa cultural o da recém criada TV Clube o TP Estúdio. Através desse episódio, ultrapassaria aquele cenário da boemia cultural que outrora limitou-se, apenas, aos seus amigos de Rua Benjamin Constant.

Começou a fazer parte da chamada ala dos artistas marginais, ou seja, aqueles que participavam do movimento cultural, mas estavam de fora da arte constituída produzida pelos pertencentes a academia piauiense de letras. Em bares como o Gelatis, na Avenida Frei Serafim era produzidas canções e produções artísticas.

Por causa de repreensão da ditadura militar era difícil saber quem era ou não um espião do governo. A única forma de driblar isso e produzir arte de denuncia era dentro da marginalidade. E essas idéias e ideais eram criados nas rodas artísticas em bares da capital.

Numa dessas rodas surgiu o tão conhecido Salão de Humor do Piauí. Albert Piauí, Zé Elias Área Leão e Kenard Kruel criaram a idéia do salão aos moldes do que existia em Piracicaba – SP com a finalidade de salvar a cultura que era produzida no Estado. Durante o Salão de Humor seriam expostas inúmeras produções locais e nacionais, elevando o gênero a uma popularidade ainda não conquistada em terras piauienses.

Com algumas facilidades políticas – Zé Elias trabalhava na então secretaria de cultura do Estado – o salão saiu. Pequeno ainda, mas aos poucos foi crescendo e tornando-se marca registrada no folclore local.
Idéias e produções criadas dentro das rodas de bate-papo entre amigos e acompanhadas por bebidas só foram cessadas quando Albert resolveu conhecer melhor o espiritismo. Levado por uma namorada conheceu a Fundação Espírita participando de estudos sobre a principal obra produzida com a temática: O Livro dos Espíritos. Assim, inicia-se uma busca pelo crescimento de outro lado seu, o espiritual. Proporcionando a partir desse episódio construções importantes na sua trajetória.

Em conjunto com um grupo de pessoas, conseguiu reabrir o primeiro centro espírita de Teresina, Bezerra de Meneses. A partir daí iniciou-se todo um trabalho voltado para a educação e o trabalho de atendimento dentro da doutrina espírita. Essa iniciativa pôde educar inúmeras pessoas das regiões do Matadouro e Pirajá dentro da doutrina.

Esse envolvimento não foi religioso, e sim, de investigação de perguntas básicas que todos nós nos fazemos. De onde viemos? Existem ou não existem espíritos? Para onde vamos no pós-morte? Buscando respostas, por 6 anos, abdicou de muitos prazeres como a bebida, o rock, a carne vermelha.

Alguns detalhes pessoais de Albert Piauí são um tanto controversos, em especial, ao que lida com a família. Teve muitas mulheres, mas apenas com três delas teve filhos. Ao todo são cinco frutos desses relacionamentos. Do primeiro casamento teve Thiago e Felipe. Depois se casaria com a Helena e teve mais dois filhos. Pedro de Helena e Albert Nane todos moram em Curitiba, com exceção do Pedro que mora atualmente em São Paulo. Por último teria sua única filha Lise que vive em Teresina.

Todos os seus filhos trabalham diretamente ou tem ligação com a arte. Sejam como fotógrafos, músicos ou atores. Segundo o pai, ele não teve nenhuma influência na escolha deles, mas como quatro deles moram ou moraram em Curitiba, um dos cenários culturais mais importantes do país, isso pode ter contribuído para a escolha profissional dos seus descendentes.

Sem dúvida um dos principais legados de Albert Piauí são a Fundação Nacional do Humor e o Salão do Humor. No entanto, os mesmos sofrem alguns problemas administrativos. Segundo o Albert, as dificuldades do salão de humor ocorrem por uma dificuldade sua de comunicação com os outros setores da sociedade civil, coisa que, segundo o próprio cartunista, ele não faz tão bem como a sua arte “eu acho que eu não sou um bom administrador porque eu estou tentando reformar um prédio a dez anos eu não consigo reformar”, afirma.

Muitas vezes por falta de um planejamento prévio, as atividades do Salão e da Fundação são minimizadas. Como o que ocorrera em 2007. Ano que comemorava as 25 edições do evento de humor no Piauí, mas que por falhas no processo de organização deixou-o bem menor que edições anteriores.

Rômulo Abreu
Thiago Meneses
Emanuel Alcântara
Romeu Tavares





“Pô, eles estão falando mal da gente de novo”

19 07 2008

Entrevista com Alex Antunes, ex-editor da revista Bizz
por Thiago Meneses – Murilo Basso

A revista Bizz surgiu no ano de 1985, junto a um bom momento da indústria fonográfica brasileira. Foi por essas épocas que ocorreu o 1° Rock in Rio, bem como o “boom” do Brock, com bandas nacionais como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Blitz, RPM, Engenheiros do Hawaii estourando nas rádios de todo o país. Suas páginas, por muito tempo, foram a principal referência no Brasil sobre música. Com um estilo peculiar que ficou marcado pela irreverência, bom humor e críticas ácidas, a Bizz conquistou um público fiel que perdurou durante muitos anos, mesmo após o primeiro fim da revista, em 2001.

Após uma fase de geladeira, a revista teve esporádicas publicações, sempre na forma de “edições especiais”, até voltar novamente às bancas em setembro de 2005. Em um contexto totalmente diferente, onde a internet já era uma realidade, a revista não consegue manter a mesma longevidade de sua primeira fase e volta a cair em julho de 2007, com a última capa ironicamente retratando o fim da banda Los Hermanos.

Tentar entender os motivos que fizeram com que a Bizz caísse, provavelmente demandaria muito tempo e disposição para entender a complexa lógica de funcionamento de uma revista impressa em um mercado tão segmentado. No intuito de pelo menos nortear esse panorama tão complexo, é que eu (Thiago Meneses, estudante de jornalismo da UFPI) e o companheiro Murilo Basso (PUC-PR) entrevistamos, via email, alguns dos companheiros (Alex Antunes, José Flávio Júnior, Paulo Terron, Pedro Só) que atuaram nas diversas fases da Bizz. O que a gente pôde perceber, e acredito que o leitor também verá dessa forma, é que o problema é bem mais cabuloso do que um diagnóstico inicial possa supor: Fiquem a vontade, e tirem (será que é possível?) suas próprias conclusões.

Alex Antunes é jornalista, escritor e produtor musical. Dirigiu a revista Bizz, fundou a revista Set e escreveu para os cadernos de cultura da Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Veja, entre outras publicações; atualmente é colaborador da Rolling Stone Brasil.

Ainda existe crítica musical no Brasil? De que forma ela se manifesta? Onde ela está?

A primeira distinção a se fazer é entre crítica musical e crítica musical pop.

A crítica musical pop incorporou certos modos do jornalismo gonzo de Hunter Thompson e de seu principal seguidor no jornalismo musical, Lester Bangs. A saber, importa menos a discussão técnica e estética sobre a música do que o impacto subjetivo que ela provoca no (assim chamado) crítico, como ouvinte. A única coisa que distingue um crítico pop de um ouvinte comum é a disposição daquele em expressar sua percepção musical em um gênero líterário-jornalistíco, próximo do que no Brasil se chama de crônica.

A exacerbação dessa tendência levou à disseminação dos blogs musicais. Isso não é um fenômeno nacional. Nesse sentido há sim, crítica musical, cada vez mais – na medida em que há cada vez mais desses cronistas pop na internet. No sentido que aproxima a crítica pop da crítica musical erudita, há cada vez menos.

O mercado musical está cada vez mais segmentado. Sendo assim, ainda cabe uma revista de música no Brasil que se aproxime dos moldes da Bizz? De que forma ela se adequaria ao quadro atual?

O que determinou a importância da Bizz nos anos 80 foi a combinação entre determinadas condições político-sociais e de mercado, que permitiram que a revista apresentasse, por assim dizer, o Brasil urbano carente de uma expressão musical condizente com a juventude da época a uma onda emergente de rock (nacional e internacional) pós-punk.

A circulação de informação era precária. Não havia internet; nem todos os discos supostamente importantes eram lançados no país e a importação de vinis era cara; não havia tecnologia de reprodução doméstica de discos sem perda considerável de qualidade da cópia (fita K7, no caso); as próprias bandas brasileiras emergentes precisavam de um interlocutor na imprensa – os jornais mais antenados, como a Folha de São Paulo, ainda não tinham impressão em cores e não havia MTV, então o formato revista era importante inclusive na divulgação da imagem das bandas. Ao mesmo tempo, o impacto ainda recente do punk permitia uma discussão histórica das conexões entre a sonoridade da época e as raízes do rock e, em termos de Brasil, a relação entre as bandas de pop urbano e a música brasileira (questão colocada pela Tropicália e muito carente de respostas nos anos 80).

Evidentemente hoje não há a menor necessidade de uma revista que responda essas questões. Mas a saturação de informação através da internet e outros meios digitais abre espaço, sim, para um tipo de revista que proponha certos filtros de escolha e reflexão.

Existe uma deficiência de conhecimento, por parte dos grandes veículos de comunicação, desse público segmentado pela internet? Como conhecer melhor esse público, saber suas preferências e então, traçar estratégias no sentido de adotar uma linha editorial que sobreviva em meio a um mercado em crise?

A visão corporativa de imprensa é totalmente antagônica com a nova cultura eletrônica – cujas características são exatamente a simultaneidade e a desierarquização (como se vê inclusive nos festivais de formato mais contemporâneo). Um grande veículo jornalístico não tem critério nem espaço para filtrar simultaneamente toda a informação que circula, porque já não há um eixo, nem comercial nem cultural, em torno do qual organizar a diversidade dos fenômenos. Tudo é igualmente (des)importante.

Na verdade os grandes veículos jornalísticos foram superados pelas empresas de tecnologia voltadas para as ferramentas de circulação, e não de geração, de conteúdo. Nesse sentido, um site de relacionamento – sem filtro artístico que não seja o das próprias tendências da música pop, como o MySpace – faz um dos principais papéis que as revistas de música já fizeram. A não ser, claro, no caso de uns poucos fenômenos de mercado. Uma revista como a Capricho, tratando do RBD, por exemplo, evidentemente ainda cumpre um papel comercial, mas jornalisticamente irrelevante.

Pior que isso, o que restou da crítica nos grandes veículos ainda se dá ao luxo de hostilizar fenômenos notáveis – como o rock emo – ao invés de tentar compreendê-los melhor. Uma revista de música pop hoje teria que se equilibrar, com extrema habilidade, entre material histórico e fenômenos de transitoriedade muito rápida, pinçando artistas que ilustrem, de alguma forma, essa aceleração do processo cultural.

Se adequando as novas tecnologias e aos novos padrões de vendagem, o que significa ser bem sucedido hoje em dia com uma revista impressa?

Há um paradoxo hoje entre custos industriais e patamares viáveis de distribuição. Com o agravante, no Brasil, do tamanho do território e do fosso de hábitos de consumo entre as capitais e o interior.

Uma revista que venda 10 ou 20 mil exemplares, para determinados nichos, seria uma revista muito bem sucedida. E pode até ser, se tiver anunciantes fortes. Mas o que era o anunciante forte para a música pop – as gravadoras – desapareceu. Então, uma revista de cultura pop precisa de uns 50 ou 70 mil leitores – mas isso dificilmente irá acontecer.

O que mudou no “fazer revista cultural” da década de 80 para os anos 2000?

A horizontalidade, a simultaneidade, a desierarquização. Uma revista feita com a mentalidade antiga – de levantar ou de derrubar artistas de acordo com uma luta por espaço no mainstream, seja por razões comerciais ou ideológicas, simplesmente não faz mais sentido, já que não há mais mainstream.

Quais seriam as formas ideais de tratar a informação em uma revista impressa hoje, principalmente levando-se em consideração as novas tecnologias?

Não está claro ainda. A tentativa mais interessante, no Brasil, foi a da revista Play, da editora Conrad. Mas, no papel impresso, a navegação não-linear não funciona. A revista que tenta se comportar como um site simplesmente fica suja e editorialmente picada demais.

Existe uma espécie de nostalgia com formato consolidado nos anos 80 e 90 que talvez não fosse o “ideal” para o atual momento?

Para um pequeno nicho, sim. Mas teria o mesmo impacto cultural de um show com Leoni ou Morrissey. Ou seja, não muito.

Quem era o nicho ou “público alvo” da última fase da revista BIZZ? Quais as formas para perceber suas especificidades?

Eram os antigos leitores da fase áurea da revista, agora na faixa dos 20 e muitos aos 50 anos, e de maior poder aquisitivo. Mas a revista não dialogou bem sequer com esse público. Por exemplo, os entrevistões (seção de maior fôlego da revista) fixaram-se em artistas da fase intermediária dos anos 90 – Nando Reis solo, Marisa Monte, Lenine – e insatisfatórios, portanto, tanto do ponto de vista dos saudosos quanto dos que prefeririam material atual.

As dificuldades financeiras para a realização do jornalismo cultural são uma extensão direta da própria questão cultural? Como isso afeta os leitores e os anunciantes?

Sim, essa é uma boa maneira de resumir: as dificuldades jornalísticas e financeiras para a realização da cobertura cultural são extensões diretas da dinâmica da própria questão cultural. É um contexto complexo demais para ser vendido a um anunciante (já que uma revista vende muito mais a sua importância a esse anunciante, do que vende os produtos desse mesmo anunciante a seus leitores).

Como era a relação entre revista e anunciantes/patrocinadores nos anos 80? Quais mudanças ocorreram ao longo desses 20 anos?

O prestígio da Bizz nos anos 80 permitia total autonomia entre a redação e a área comercial. Houve caso de um álbum ser massacrado na seção de crítica, e ter um anúncio de página inteira ao lado. Aconteceu com o Jean-Michel Jarre, por exemplo. Claro que o anunciante não gostava, e podia até mandar reclamações sobre o mau-humor da redação em determinadas críticas – como aconteceu com o Gilberto Gil, que considerou uma resenha particularmente ofensiva. Mas nada disso abalava a percepção do anunciante de que estar na revista era imprescindível. Cheguei a imaginar um marketing invertido para explorar essa credibilidade: quando o RPM ia ter seu filme produzido (algo que nunca aconteceu) e nos ofereceu merchandising, propus para o diretor de grupo que entrássemos em uma cena em que a banda lesse a revista e comentasse: “Pô, eles estão falando mal da gente de novo”. Mas ele não achou boa idéia (risos).

Hoje, em função das dificuldades comerciais, uma revista teria que ser bem mais cautelosa com os anunciantes. Na verdade, as revistas pequenas vendem matéria casada com anúncio. Obviamente isso não faz bem pra credibilidade de ninguém, nem do anunciante. O próprio leitor tem vergonha de encontrar um anúncio junto a uma matéria que elogie o próprio artista.

Como é a relação da imprensa musical com o meio artístico?

Na cartilha gonzo, um jornalista é um igual, ou seja, alguém com o mesmo direito a quebrar copos e dar vexames.

Na cartilha do mais recente jornalismo de celebridades, é um baba-ovo acrítico, diametralmente oposto ao jornalista objetivo da cartilha tradicional.

Um jornalista perfeito, hoje, saberia incorporar saudavelmente algo esses três modos:

a) ganhando o respeito dos artistas ao freqüentar os mesmos ambientes com a mesma paixão;

b) entendendo o funcionamento do celebrity system, e reconhecendo os raros artistas que hoje tem o carisma para crescer em diferentes públicos;

c) guardar algo da objetividade e da crítica para ressaltar os aspectos estéticos do trabalho de alguém e relativizar, em seus textos, a importância dos outros aspectos (casuais) da notoriedade.

Não sei se existe algum desses.





Leia a Bula

16 07 2008

A meta era encontrar uma revista cultural na internet para poder falar dela para esta revista. Encontro a Revista Bula, com um expediente composto por oito pessoas, e muita coisa boa de cultura como a entrevista como o escritor Mia Couto. Certo, pergunta: Quem é Mia Couto?

Mia Couto é moçambicano e um dos autores de língua portuguesa mais conhecidos. Ele esteve no Brasil no ano passado participando da Feira Literária de Paraty. Na matéria presente na Revista Bula, ele trata do seu novo romance e das mudanças na língua portuguesa, que vão acontecer no ano que vem. “A língua portuguesa deu-nos uma certa afinidade histórica. Aqui na língua temos que ter algum cuidado, porque se queremos construir uma família, uma comunidade… Temos que pensar que alguns moçambicanos, alguns angolanos e alguns guineenses, não falam português”, disse Mia Couto a respeito da mudança.

Sobre a disputa entre Brasil e Portugal com relação ao acordo ortográfico, Mia Couto evita se posicionar, mas fala do Brasil. Mia Couto entretanto cutuca o acordo. “Eu nunca tive problemas em ler livros brasileiros. A grafia ligeiramente diferente não me faz confusão. O Brasil lê os meus livros e lê os livros da Paulina Chiziane sem problema nenhum”, comentou sobre o Brasil. “Não faço guerra contra o acordo mas não sou a favor dele. Eu acho que o importante era discutir outras coisas que nos afastam e mantêm o enorme desconhecimento que há entre nós.”, disse.

Para ver a entrevista de Mia Couto e mais sobre a revista bula clique aqui.





Dia da animação em Teresina… é só sonho

10 07 2008

Ate o próximo dia 15 as cidades brasileiras podem inscrever-se para sediar o Dia Internacional da Animação. O Dia da Animação vai acontecer em mais de 100 cidades brasileiras com a mostra de curtas-metragens e filmes de animação nacionais e internacionais.

A programação engloba uma hora de exibição de curtas-metragens e além da mostra oficial, ocorreram mostras paralelas, debates, workshops, palestras e confraternizações. Esta é a quinta edição do evento no Brasil, que vai ter entrada gratuita para criar novas platéias e .divulgar o cinema de animação. O evento nasce em homenagem a primeira projeção de imagens e desenhos animados, realizada em 28 de outubro de 1892, no Museu Grevin, em Paris, por Emile Reynaud.

Atualmente o evento é realizado em mais de 51 países e no Brasil é organizado pela Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA), com o apoio do Ministério da Cultura (MinC). Só para dar a idéia aos prefeitos do Piauí o site para se inscrever é www.diadanimacao.com.br