DOC TV IV já tem inscrições abertas

29 05 2008

No Piauí e nos outros 26 estados brasileiros aconteceu o lançamento dos Concursos Estaduais para o DOCTV IV. O projeto vai premiar 35 projetos de documentários neste ano em concursos estaduais descentralizados.
Os projetos vão receber um contrato de co-produção no valor de R$ 110 mil para realização de cada documentário,difusão nacional em horário nobre, na Rede Pública de Televisão que inclui a TV Brasil e a TV Cultura entre outras ações.
Piauí e mais 18 estados (Roraima, Amapá, Amazonas, Acre, Rondônia, Tocantins, Maranhão,Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Santa Catarina) tem apenas um projeto de documentário garantido para cada.Já Pará, Ceará, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul tem dois projetos garantidos cada.
Sobre o Programa DocTV
O Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro – DOCTV nasceu em 2003 como uma política da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura para a estruturação do setor de produção de documentários e TV Pública. O DOCTV atua em toda a cadeia produtiva do documentário (da formação, produção e difusão, até a comercialização), fomentando cada etapa e agindo de maneira a criar mercados e formar profissionais.
Para isso, oferece uma série de oficinas para dar suporte aos processos, desde a elaboração de um projeto a ser inscrito no concurso, passando pelo desenvolvimento de projetos e desenho de produção até a grade de difusão dos filmes em TV pública aberta. Desta forma, nas três edições do DOCTV, nenhum filme deixou de ser realizado e exibido, pois o programa atua em todas as fases do projeto garantindo sua execução.
O DOCTV teve até hoje 2.380 projetos de documentário inscritos em 74 concursos estaduais, tendo co-produzido 115 filmes e gerado mais de três mil horas de programação para a Rede Pública de Televisão.

Carlos Rocha

Com dados do Ministério da Cultura





Ora pois!

28 05 2008

O português está de mudança. Não, não é nenhum texto sobre a mudança da corte portuguesa para o Brasil e sim sobre as mudanças que vão acontecer com a língua portuguesa. As mudanças começam em 2009 e vai até 2012 “bagunçando” muito do que conhecemos a respeito da nossa língua portuguesa.
Durante os três anos todos os livros de português serão reformulados para absorver os 21 pontos do acordo firmado entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Brasil, Portugal, Timor Leste, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, países de CPLP discutem a implantação do acordo desde 1990.
último país a aprovar a reforma ortográfica foi Portugal que somente no último dia 16 decidiu aderir a reforma que lá entrarão em vigor dentro de seis anos. O novo acordo deve modificar 1,6% do vocabulário do português de Portugal, contra apenas 0,45% do vocabulário brasileiro e é a quarta reforma no idioma, a primeira neste século contra três no século passado (1911, 1931 e 1945).
Nas mudanças os acentos são as principais vítimas: o acento agudo será retirado das palavras terminadas em eia e oia como “idéia” e “jibóia”. o acento circunflexo é que mais será afetado já que desaparece das terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbo ver, ler, dar e crer e das palavras terminadas com o hiato `oo”.
Além disso o trema vai “morrer” definitivamente e o hífen será aposentado nas palavras que tiverem um segundo elemento começado por “r” ou “s”. As duas letras serão duplicadas. O novo “voo” da língua portuguesa será uma aventura na qual não se tem “ideia” do resultado.

Carlos Rocha





Meu demônio favorito

26 05 2008

Hellboy: A Feiticeira Troll e Outras Histórias [Mythos Editora, 2008]

É no conta-gotas que aos poucos as histórias de Hellboy saem nos Estados Unidos, em revistas pingadas ali e acolá da editora Dark Horse onde Mike Mignola sai com seu personagem para desfilar interessantes histórias curtas, juntando ironia e poesia em quadros. E nesse de pouco-a-pouco, Mignola faz suas coletâneas com estas edições, que conjugam um material autoral invejável que felizmente dá suas caras anualmente por esses lados da América do Sul, para a felicidade dos fãs de quadrinhos.

E é desses materiais que a Mythos Editora acaba por lançar recentemente no Brasil, o encadernado “Hellboy: A Feiticeira Troll e Outras Histórias”, que o demônio mais camarada dos quadrinhos em histórias inspiradas em lendas de diversos países, com o lápis do próprio autor e dois estimados convidados: Richard Corben, veterano do underground e senhor de um traço único; e P. Graig Russel, queridinho quando o assunto são histórias fantásticas, com uma arte mais tradicional em quadrinhos.

O recorte cronológico que este álbum trás são acontecimentos anteriores aos álbuns “O Verme Vencedor” (2005) e “Paragens Exóticas” (2007), onde Hellboy deixa de ser detetive da Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal (BPDP) e passa a ter aventuras solos. São episódios geralmente curtos que acontecem entre as décadas de 1958 e 1990, explorando lendas de diversos lugares do mundo que sempre fascinaram Mignola, ou seja, histórias leves e descompromissadas com a cronologia do personagem.

Isso sem esquecer os textos introdutórios feitos pelo próprio Mike, que se sente como nunca próximo de seus leitores, revelando mais dos bastidores e suas fórmulas criativas para a construção das histórias [lembrando muito o jeito despojado do Neil Gaiman].

Dentre os sete contos que compõem o encadernado, com certeza Makoma é a que se sobressai de todos. Inspirado numa lenda africana que conta a saga de um herói mitológico do título, Mignola coloca Hellboy na pele de Makoma, criando paralelos entre a saga dos dois personagens, conduzindo uma leitura deliciosa que se casa com o ótimo sarcasmo do demônio e do próprio autor [que está com humor afinado em todas as histórias].

Richard Corben, que faz o traço da história, também faz uma ótima participação, e se encontra ao desenhar personagens africanos, que combinam perfeitamente com seu estilo: lábios grossos e olhares marcantes. Ele não é tão “Jack Kirby” como Mignola, mas foi um dos artistas convidados que mais me marcaram em Hellboy.

Ainda há uma experiência interessante em “O Ghoul”, sobre uma criatura come cadáveres e a todo o momento declama poesias sobre a morte [para a impaciência de Hellboy], jogando assim recortes interessantes sobre a personalidade perturbada do inimigo.

Enfim, apesar do preço alto [quase 40 contos], “Hellboy: A Feiticeira Troll e Outras Histórias” é um revista que deixa qualquer fã coçando a mão para comprá-la, mesmo que ela não seja tão importante para a cronologia do personagem [que segundo Mike, já está definida como deve acabar]. Porém, quando se pensa que um álbum do personagem só venha a ser lançado novamente no Brasil daqui a um ou mais anos, bem, o investimento se torna válido. [E ainda cruzo os dedos para que a Mythos relance as primeiras histórias na época do lançamento do segundo filme... coisa que ela não fez durante o primeiro =/].

Ficha Técnica

Penanggalan – Mike Mignola (texto e arte) e Dave Stewart (cores);
A hidra e o leão – Mike Mignola (texto e arte) e Dave Stewart (cores);
A feiticeira troll – Mike Mignola (texto e arte) e Dave Stewart (cores);
O vampiro de Praga – Mike Mignola (texto), P. Craig Russel (arte) e Lovern Kindzierski (cores);
A experiência do Doutor Carp – Mike Mignola (texto e arte) e Dave Stewart (cores);
O ghoul – Mike Mignola (texto e arte) e Dave Stewart (cores);
Makoma – Mike Mignola (texto e arte), Richard Corben (arte) e Dave Stewart (cores).

Dario Mesquita – que também escreve fanfictions do Hellboy quando pode.





Sem coelhos no futuro

19 05 2008

Richard Kelly apresenta seu caótico projeto após Donnie Darko

Southland Tales [2008]

Richard Kelly tornou-se uma promessa instantânea do cinema logo com seu filme de estréia, Donnie Darko. Dirigindo seu próprio roteiro, Kelly fundiu, em uma mesma narrativa, lapsos temporais, famílias desajustadas, crítica corrosiva aos pregadores de fórmulas mágicas de auto-ajuda e coelhos. Ou melhor, um coelho, o mais estranho que poderia aparecer: Frank. Com uma montagem instigante, a película ainda rendeu boas atuações de todo elenco, destacando-se Jake Gyllenhaal.

Original e esquizofrênico, firmou-se como uma produção cult gerou muitas expectativas sobre o próximo passo do diretor. E eis que finalmente chega ao Brasil o tão esperado “sucessor”. Southland Tales aparece 6 anos após muita especulação, alimentada pelas críticas que o filme recebeu nas primeiras exibições. Saiu direto em DVD por aqui, agora em maio. E, após sua projeção, confirma e desmente algumas coisas ditas sobre ele.

A primeira impressão que se tem é que talvez Richard Kelly tenha se tornado um megalomaníaco com o sucesso do seu primeiro filme. O filme funde todas as referências e estórias possíveis, inclusive as já exploradas em Donnie Darko. Partindo de um ataque terrorista nucelar nos EUA em 2005, a narrativa constrói uma breve linha do tempo mostrando os eventos que se desencadearam com o cataclismo até 2008, ano em que se desenvolve a trama. Os personagens aparecem jogados, deixando o espectador meio perdido. Aliás, a partir daí o filme manifesta o seu maior erro: peca pelo excesso. Seja de personagens, alguns dispensáveis; seja de informações, que inundam a tela sem aviso; ou de eventos secundários. Enfim, muito é apresentado mas pouco se aproveita.

Mas ao contrário das críticas afirmam, há um roteiro sim, apenas mal elaborado. No ano de 2008 que nos é apresentado, o governo americano controla toda a vida dos cidadãos, alegando requisitos de defesa, embora encontre a resistência de grupos sociais, notadamente os neomarxistas. Eles procuram sabotar as eleições para presidente que se aproximam, enquanto revelações sobre a energia alternativa, baseada no movimento das marés, adotada pelos Estados Unidos são feitas.

Entrelaçado a tais eventos, vemos Boxer Santoros (Dwayne ‘The Rock’ Johnson), astro do cinema que após permanecer dias desaparecido, é reencontrado no deserto e com amnésia, sendo abrigado por uma atriz pornô ambiciosa, Krista Now (Sarah Michelle Gellar). Após um roteiro de filme escrito por eles cair nas mãos da agência de vigilância do governo, Boxer passa a ser estranhamente encaminhado para a verdade. Em meio a tudo isso, um policial inseguro de suas intenções (Seann William Scott), reviravoltas confusas, constantes provocações à falsa moral americana, drogas sintéticas futuristas, Christopher Lambert em um papel nonsense e Justin Timberlake narrando os fatos, permeados com citações da Bíblia.

Afora as interpretações em boa parte caricatas, o grande destaque fica por conta da trilha sonora. Radiohead, Black Rebel Motorcycle Club e The Killers (esta com direito a encenação de Timberlake!) dão o tom antes do final, que é especialmente decepcionante. O motivo? Imagine suportar praticamente 2 horas e meia de um filme confuso para então deparar-se com uma enorme sensação de dejà vu. Robert Kelly simplesmente reaproveitou uma de suas melhores idéias no pior momento possível.

A expectativa agora se concentra no seu mais novo filme anunciado, The Box, terror estrelado por Cameron Diaz e James Marsden e baseado no conto “Button, Button”, de Richard Matheson. Esperemos uma boa surpresa dessa vez. O lançamento está previsto para este ano.

Trailer do filme

Por Rafael Galeno





O Assalto Perfeito

18 05 2008

Efeito Dominó [2008]

A vida de um vigarista baseia-se em encontrar o “golpe perfeito”. Oferecendo essa oportunidade a um grupo de vigaristas amigos da adolescência, a modelo Martine Love (Saffron Burrows) convida Terry Leather (Jason Statham) e seu bando a assaltar um banco no centro de Londres.

Assim começa o enredo da trama Efeito Dominó (The Bank Job, Inglaterra, 2008) que retrata o assalto ao Lloyds Bank, na famosa Baker Street no centro de Londres em 1971, considerado um dos maiores da história recente inglesa, maior até mesmo que o notório assalto ao trem pagador.

Jóias e dinheiro pareciam ser as prioridades. No entanto, algo de maior valor estava dentro dos cofres do banco: a integridade da monarquia inglesa. Fotos de representantes da realeza e do parlamento estavam guardadas entre os tesouros de interesse do governo e da máfia. Sem saber disso, os vigaristas aventuraram-se não sabendo o risco que eles estavam correndo.

Quem esperava ver as eletrizantes cenas de ação protagonizadas por Jason Statham em filmes como Adrenalina ou Carga explosiva, esqueçam. Neste filme a prioridade é contar a história de um roubo aos moldes de Onze Homens e um Segredo, e deixar os espectadores se perguntando “e agora?”.

Informações Técnicas
Título no Brasil: Efeito Dominó
Título Original: The Bank Job
País de Origem: Inglaterra
Gênero: Suspense / Ação
Classificação etária: 16 anos
Tempo de Duração: 110 minutos
Ano de Lançamento:  2008
Site Oficial:  http://www.thebankjobmovie.com
Direção: Roger Donaldson

Por Emanuel Silva





Semana de Museus em Teresina

15 05 2008

Acontece esta semana a 6a semana de museus no Museu do Piauí. Também chamada de Casa de Odilon Nunes, o museu recebeu apresentações artísticas e palestras. Com o tema Museus como Agentes de Mudança Social e Desenvolvimento a semana de Museus a semana busca mudanças sociais a partir do conhecimento que as pessoas adquirem aos visitar os museus.
“Hoje, esses espaços não são somente áreas de exposição de peças raras e antigas, mas também fóruns de debates, que discutem os mais variados temas. É uma extensão da sala de aula, com função de educar”, disse Dora Medeiros diretora do Museu do Piauí. O Museu do Piauí já tinha participado de cinco semanas em nível nacional, mas na década de 90 apenas comemorava o Dia Internacional do Museu. Desde 2003 que a Casa de Odilon Nunes passou a desenvolver atividades em uma semana para celebrar a importância do museu.
Além do Museu do Piauí, o Museu Ozildo Albano, do município de Picos também participa da semana de museus. A 6ª semana de Museus é articulada pelo Departamento de museus do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DEMU/ IPHAN), que tem registrados 1420 eventos em 447 museus de todas as regiões do país.





Noé Mendes?

14 05 2008

Você sabe quem foi Noé Mendes? Sabe-se pouco a respeito do professor muito ligado a cultura piauiense e menos ainda a respeito dos trabalhos que estão guardados em um espaço que leva o seu nome. Noé Mendes foi um estudioso da cultura local e também buscou bastante a preservação das manifestações culturais piauienses

 

Noé nasceu no dia 17 de janeiro de 1940, em Simplício Mendes, PI. Diplomado em Ciências Jurídicas e Sociais, em Filosofia e Teologia ele também foi folclorista, ensaísta e crítico. Em seu lado folclorista publicou livros como Folclore brasileiro: Piauí contando as várias manifestações do nosso folclore. Entretanto, pouco se conhece dos livros do autor e muito menos das peças que foram por ele preservadas. Você sabia que a Universidade Federal do Piauí tem um espaço com o nome de Noé Mendes que guarda peças relacionadas à cultura do nosso Estado?

 

Mesmo em um espaço desgastado pelo tempo e pouco cuidado, já que há pouca visitação pelo menos dá para se ter uma segurança de que pelo menos ele existe. Para quem ficou interessado tem um pouco mais sobre Noé Mendes aqui e aqui. 

Carlos Rocha

 

 





Euphoria

13 05 2008

Para os desavisados, o Grand Thief Auto IV (GTA IV) lançado nesse final de abril vem com uma ótima novidade para a nova geração de games. Ele é um dos primeiros jogos a incorporar a tecnologia de inteligência artificial “Euphoria”, desenvoldida pela NaturalMotion. O grande lance desta nova tecnologia é sua forte capacidade de gerenciar os movimentos dos personagens em tempo real, criando comportamentos dinâmicos para cada situação, dando naturalidade bastante humanizada para o game.

Não sou muito conhecedor de AI [só um pouco no campo acadêmico, mas explicar isso item por item é complicado], mas para os curiosos deixo o link para um texto bem didático sobre o funcionamento da tecnologia. Outros jogos que virão com “Euphoria” serão Star Wars: The Force Unleashed e Indiana Jones.

Confira os vídeos demonstrativos abaixo.





Vruuummmmmmmm… Vruuummmmmmmmm… CRASH!!!!!!

12 05 2008

Speed Racer [2008]

Hmmm… Digo logo que detesto filmes de corrida. A última coisa remota que assisti com um certo interesse foi o filme-coroa “Dias de Trovão”, e “Mad-Max” não vale porque vai além de carros correndo, e nem a animação “Carros”, que é a coisa mais fraca feita pela Pixar [ok, "Insetos" também é, mas ele ao menos é inspirado no filme japonês "Sete Samurais", dirigido por um senhor lendário acolá]. Pois bem, quando fui ver “Speed Racer” já estava contaminado com minha vivência com esse tipo de filmes, que se adicionada à leitura rápida de algumas críticas.

Então, eu não esperava muita coisa além de piruetas psicodélicas, piadas de filme infantil em espírito 70´s e alguns minutos sacais de diálogo familiar. Mas ainda tinha aquela esperança criativa que guardo dos irmãos Wachowski, coisa que só alguns têm depois do terceiro Matrix e do roteiro controverso V de Vingança [do tipo: ame, odeie ou mande-se-fuder-porque-Alan-Moore-fez-melhor].

Pois foi justamente essa maldita esperança que salvou o filme! [e só esqueci de dizer que também não sou fã de Speed Racer, e nem gostava tanto assim dele. Mas, quem com menos de trinta e poucos anos seria oO?].

“Speed Racer” é uma puta salada de influências. Os irmãos simplesmente injetaram drogas alucinógenas e uma nova contextualização a um anime clássico que pouca gente acreditava que iria dar certo. Ora, logo nos primeiros trailers eu ficava me indagando “mas… que porra é essa? Tá pior que aqueles filmes do Batman!”. Penso que todo mundo sabe dos exageros dos Wachowski, e de como isso às vezes derruba suas produções. Mas eles conseguiram fazer uma mistureba autêntica, e justamente num filme que se diz voltado para o público infantil [o que considero uma forma de conseguir vender ‘bibelôs' com maior facilidade].

Não sei se um guri em seus doze anos, ou menos, teria como digerir um roteiro que vaga entre a pura ingenuidade a intrigas de conspiração bem trabalhadas. Ou estou ficando mais velho e não percebo que eles podem facilmente encarar isso. A verdade é que Speed é um dos poucos filmes dito “família” que não cospe da sua inteligência e nem rouba seu dinheiro em troca de efeitos especiais vazios [ok, alguns vão dizer que os efeitos são vazios].

O filme é muito bem trabalhado numa narrativa não linear, recorrendo a flashbacks que inicialmente parecem sacais, mas que depois mostram seu charme e originalidade, dando ousadia na edição e no andamento do roteiro. A hipertextualidade foi um recurso louvável por trazer significado a muitos momentos, especialmente no fim.

Os diálogos não são tão descartáveis assim, cada um funciona ao seu modo, só retirando quando ele tenta “ouvir” seu carro [Mas quem já conhece animes japoneses, sabe que essas conversas com o "nada" são a coisa mais comum. Lembra de Dragon Ball falando sozinho no meio da desgraça sobre técnicas absurdas de luta? Pois é, estou até com medo do filme que vez por ai].

E os atores ajudam ainda mais neste ponto. Aparentemente eles foram escolhidos a dedo, atuando de acordo com cada personagem do desenho [ao menos até onde posso lembrar]. São personagens rasos, mas que quando bem trabalhados, ganham o carisma do público facilmente. Gorducho, o caçula da família Racer, e Zequinha, o macaco de estimação, são dois ótimos exemplos, que juntos dão o tom infantil da obra, mas não perdem a piada, como aconteceria é qualquer filme do gênero.

Sim, e as corridas? Só quero dizer que graças a elas, ganhei uma puta dor de cabeça em contraste com meus largos sorrisos no rosto por elas serem bem trabalhadas e tensas [E nem reclamem da artificialidade-videogame. Porra, os veículos lutam kung-fu quase!]. Enfim, é um jogo do F-Zero/Wipeout turbinado à sétima potência, num ambiente totalmente new-rave, com violência inorgânica voando pelas bordas da tela. São ótimas, e me deixaram louco por um joystick.

Speed Racer é um filme família atípico, inteligente até certo ponto, dotado de um humor negro de desenhos animados, ótima cenas de ação, não abusa tanto o lado sentimentalista, além muitas cenas chapantes de corridas. Um ótimo filme pipoca, daqueles de anestesiar os sentidos. Se for sensível a dores de cabeça, leve um remédio, não faça como eu. E sente na última fila. Se sair arrependido no final, só lamento.

[Ps.: Não explorei nas entrelinhas do no texto acima, mas espero que aqueles que acompanham a obra do Wachowski, percebam o quanto a temática da luta contra a autoridade/sistema está presente em seus filmes. Algo que fica sob os efeitos especiais, mas que desta vez também é coberto pela ingenuidade dos personagens. Ou seria isto uma filosofia barata dos irmãos?].

Por Dario Mesquita